Um clima de apreensão no entorno do Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, persiste neste sábado, um dia depois do tiroteio que provocou quatro mortes na rua Domingos Rubbo. Marcas de tiros no concreto e cartuchos de bala ainda no chão não deixam esquecer as cenas de violência. Nas bancas, nas lojas, no ponto de táxi, na fila de espera dentro do hospital, nas rodas de conversa, o único assunto é o tiroteio que matou quatro suspeitos e feriu dois policiais militares. Pelo celular, as pessoas assistem as imagens que registraram a ação.
Apesar de não ter participado da ação na sexta-feira, o policial de plantão em frente da instituição hospitalar recebia hoje pela manhã os parabéns e apoio das pessoas que circulavam pelo lugar. Incomodado pelo medo, o dono de uma banca de frutas, Elton Reck Linhares, conta que se protegeu atrás de um muro de concreto quando o tiroteio começou. “Eu tinha chegado da Ceasa e estava arrumando a minha banca quando os carros chegaram. Os tiros começaram. O motorista de um dos veículos saiu do carro correndo e foi baleado. Entendi o que estava acontecendo e me escondi. Acho que tudo durou mais de 10 minutos”, descreve Linhares.
Apesar de não ter presenciado o tiroteio, o motorista de táxi, Denis Cardoso, que trabalha no ponto em frente ao hospital, diz que a tensão só piora na região. “Só saio de casa hoje em dia para trabalhar. O medo não é do assalto, mas do latrocínio”, coloca. O medo se estende a toda vizinhança. Muitas lojas fecharam mais cedo nessa sexta-feira quando perceberam a ação. Um vendedor, que preferiu não se identificar, diz que cerca de 10 pessoas se abrigaram dentro do bazar para fugirem da linha de tiro. As portas só foram reabertas depois que tudo se acalmou.
Clima de apreensão persiste após tiroteio em frente de hospital em Porto Alegre
Comerciantes e pessoas que testemunharam confronto relataram tensão no Cristo Redentor