Polícia

Cobre roubado de fios pode estar sendo usado em parreirais na Serra

Polícia suspeita de que o metal pode estar sendo usado para proteger as uvas dos fungos

A Polícia Civil acredita ter descoberto um dos possíveis destinos do cobre furtado das redes de energia elétrica e de cabos de telecomunicação. Uma investigação da Delegacia de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio e Serviços
Delegados (DRCP) levantou a suspeita de que o metal pode estar sendo transformado em sulfato de cobre, muito usado para proteger dos fungos os parreirais de uva na região serrana. No cargo desde novembro de 2012, a delegada Silvia Regina Coccaro conta que os primeiros indícios surgiram em Caxias do Sul. “Apreendemos cerca de oito toneladas de
cobre na região em 2013”, revela. Outra provável rota do metal furtado sob investigação, segundo a titular da DRCP, se estenderia até empresas que produzem componentes, fiação e materiais elétricos.

A suspeita de que o metal, de origem ilícita, esteja sendo empregado nos parreirais da Serra surgiu em novembro do ano passado, quando uma denúncia foi repassada por uma das concessionárias de telecomunicações à DRCP. Uma operação policial foi deflagrada. Os agentes foram até uma empresa de Caxias do Sul, onde encontraram e apreenderam as oito toneladas de cobre. “É um local de transformação, ou seja, onde seria derretido e vendido”, relembra a delegada, observando que o “inquérito ainda está em andamento”.

Em Porto Alegre, as operações da DRCP contra os receptadores se concentram basicamente na rua Voluntários da Pátria, onde existem diversos estabelecimentos. Na região é comum encontrar alguém queimando os revestimentos da fiação. O que sobra é o chamado “cabelinho”, um emaranhado de fios do metal. A incineração visa evitar que os
receptadores sejam presos, caso ocorra a identificação da origem do material.

Silvia discorda da ideia de que o furto de cobre é cometido para fins de sobrevivência, feito por pessoas que vivem na extrema pobreza. “Trata-se de um crime bem organizado”, constata. “A desconfiança surgiu a partir da indagação sobre qual seria o interesse dos sucateiros pelo cobre”, ressaltou a delegada.

Ladrões têm informações privilegiadas
O furto de cabos e equipamentos de infraestrutura das redes de telecomunicações esconde a possibilidade da existência de informações privilegiadas, obtidas pelos ladrões junto a funcionários de empresas terceirizadas do setor. A delegada Silvia Regina Coccaro constata que os criminosos sabem exatamente de qual local deve ser retirado o material desejado. “As baterias estacionárias de empresas de telefonia celular ficam escondidas”, lembra, indagando como os criminosos conhecem a localização exata delas. A DRCP não atua apenas na repressão ao furto e à receptação de fios de cobre usados pelas empresas de energia elétrica e de telefonia fixa. Os agentes também fazem investigações quando são levados equipamentos de infraestrutura de redes de telecomunicações, como baterias estacionárias e fibras óticas.