Rara no mercado brasileiro, a "cocaína preta" é manipulada para não ser percebida. O processo de refinação deixa o entorpecente sem cheiro e possibilita enganar até cães farejadores. A cocaína é submetida a complexos processos que resultam na cor escura e a deixam inodora. A droga fica parecida com uma estrutura de borracha, capaz de se confundir com alças e fundos de mochilas e malas, sendo imperceptível em uma inspeção de rotina.
Ao avaliar a apreensão da Senad, o delegado José Antônio Dornelles, da Polícia Federal do Rio Grande do Sul, observa que, apesar da dificuldade de encontrá-la visualmente, a mesma sempre é flagrada nos testes com reagentes químicos.
Os casos anteriores em território brasileiro são poucos. Em março de 2009, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Mato Grosso do Sul flagrou mais de 16 quilos de "cocaína preta" transportados por uma mulher, na cidade de Miranda. O entorpecente estava camuflado em um bote inflável, levado no bagageiro de um ônibus que saiu de Corumbá com destino a Campo Grande. A "cocaína preta" se confundia com a borracha do bote e só foi detectada por meio de testes.
Já em fevereiro de 2008, os policiais espanhóis apreenderam 16,5 quilos de "cocaína preta" em Madri. A droga seria enviada para o Brasil através de duas mulheres romenas.