Segundo o comando da corporação em Livramento, o desfalque de viaturas se deve a alterações no procedimento para a BM contratar, em todo o Estado, serviços de oficinas mecânicas. Desde o início do ano, o pagamento das empresas pelo poder público passou a ser feito com o cartão Refeisul, do Banrisul, mas até este mês nenhuma oficina de Livramento estava apta a aceitar o sistema.
Conforme um soldado do município, o problema quase tirou a vida de um colega no mês passado. Como não havia viaturas suficientes, um PM teve que ir em uma moticicleta atender a uma ocorrêcia de assalto contra uma empreiteira de Santana do Livramento e, ao entrar em contronto com ladrões, por pouco não foi baleado. O presidente da Associação Beneficiente Antonio Mendes Filho (Abamf), entidade que representa cabos e soldados da BM, Leonel Lucas, classificou a atual realidade do municipio como um absurdo. "Não há como fazer apenas policiamento a pé. Se houver um assalto a banco, por exemplo, não haverá a mobilidade necessária para agir".
Ao ser questionado sobre as 29 viaturas estragadas, o comandante da BM em Livramento, tenente-coronel Alfredo Vilanova, garantiu que não houve erros administrativos, mas sim um desentendimento com donos de oficinas locais que não ser adaptaram aos novos critérios. "As empresas que prestavam este serviço anteriormente não estavam com suas situações fiscais em dia, e as que podiam executá-lo, não se interessaram. Mas a dificuldade foi solucionada", afirmou.
No programa Guaíba Cidades desta sexta-feira, o prefeito de Coxilha, no norte gaúcho, Clemir José Rigo, também detalhou transtornos enfrentados devido à falta de viaturas. Hoje, o município conta com apenas um veículo, e não existe qualquer estrutura da Polícia Civil. "Esta ausência se reflete na violência na região", disse.