Polícia

Com uniforme personalizado, criminosos faziam segurança de pontos de tráfico em Porto Alegre

Facção foi alvo de operação da Polícia Civil que prende seis e apreendeu um adolescente nesta quinta-feira

Quatro meses após uma operação da Polícia Civil mirar bens da facção do traficante Peixe, o grupo criminoso já havia se reorganizado. Atuando principalmente nas regiões da Cascata, Glória, Morro da Embratel e Vila Cruzeiro do Sul, em Porto Alegre, a quadrilha ousou. Os seguranças de bocas de fumo começaram a agir uniformizados. Eles fizeram uma camiseta com a escrita "Bairro Glória" e com a estampa de um peixe - que simboliza o apelido do traficante recolhido desde julho do ano passado na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia. A camiseta branca traz ainda a expressão “Taba”, alusiva ao Beco dos Tabajaras - local de origem da facção.

No processo de retomada dos negócios da quadrilha, moradores da região entre Glória e Cascata estavam sendo expulsos decasa. Para evitar que o grupo domine novamente as regiões, a Polícia Civil desencadeou, nesta quinta-feira, nova operação, a Revenge, contra, que prendeu seis pessoas e apreendeu um adolescente. Cerca de 300 agentes em mais de 60 viaturas, sob comando do delegado Juliano Ferreira, da 19ª Delegacia de Polícia, cumpriram 67 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão e prisões temporárias, nos bairros Cascata, Glória e Morro da Embratel e vila Cruzeiro do Sul.

“A partir de novembro do ano passado, quando deflagramos a operação Torre de Babel, com 40 presos, verificamos que o tráfico já havia se organizado. Dias depois da operação, os criminosos divulgaram um vídeo em que aparecem fortemente armados e fazendo ameaças à facção rival bem como às forças policiais, além de mandar um recado à comunidade que estavam ali presentes e preparados, com o domínio da região”, explicou o delegado Juliano Ferreira.

Ele acrescentou que o objetivo da operação Revenge foi identificar “todos os indivíduos que aparecem nesse vídeo” e localizar os depósitos de armas e drogas. Além dos sete presos, outros dois já haviam sido capturados ao longo do trabalho investigativo.

O delegado Juliano Ferreira destacou também que a organização criminosa construiu guaritas e barricadas, todas já derrubadas após a operação Torre de Babel que flagrou na época inclusive a construção de um albergue para os integrantes da quadrilha. A mansão do traficante Peixe, situada no Beco da Servidão, na estrada das Bastillanas, protegida por muros altos, cerca elétrica e arame farpado, foi alvo na ocasião. A luxuosa residência, de dois pavimentos, tinha mobília completa, banheira de hidromassagem, piscina e quiosque de churrasqueira. No pátio havia um alçapão escondido que possibilitava uma fuga de emergência para fora da moradia.