Após um policial militar ser filmado ao desferir um chute contra um estudante durante um protesto, na terça-feira, na zona Sul de Porto Alegre, o comandante do batalhão responsável pela área reconheceu o excesso do PM. Na avaliação do tenente-coronel Kleber Goulart, titular do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM), o soldado não usou da melhor técnica ao tentar retirar o adolescente da via. Ele confirma que havia determinado a desobstrução, em razão de os estudantes se negarem a liberar parte da pista, mas considera que a condução do rapaz pelo braço, como fizeram os demais PMs, teria sido suficiente.
“Eu entendi por desobstruir a via porque o contato com os estudantes não surtiu efeito. Eu até propus que garantiria que eles continuassem o protesto fora da via, mas não houve acordo. E, realmente, vi o vídeo e verifiquei que não foi o uso da melhor técnica por aquele policial. Nós vamos apurar o que aconteceu junto ao policial, verificar por que ele teve aquela atitude. Provavelmente, após a apuração, ele vai passar por uma reciclagem e a gente vai verificar no andamento”, ponderou.
Já o uso de bomba de efeito moral não foi cogitado, conforme o comandante, porque poderia ter causado um mal maior aos adolescentes e pessoas no entorno. Goulart ainda destaca que só ficou sabendo sobre o excesso do policial após assistir ao vídeo, já que não recebeu nenhuma denúncia no local da manifestação e ninguém ficou ferido. Ele ainda destaca que determinou a retirada, também, por preocupação com a segurança dos menores de idade, que resistiam na via enquanto motoristas começavam a se irritar com o bloqueio.
“O que mais me preocupou foi a segurança dos adolescentes, que se colocavam em risco. Temos casos em Porto Alegre. Imagina se uma pessoa irritada com o bloqueio de trânsito resolve investir contra um estudante, causa uma lesão ou até morte, com a Brigada Militar estando presente no local. Hoje tu estarias me perguntando outra coisa”, avaliou.
O protesto reuniu alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Padre Réus, na avenida Wenceslau Escobar. Outras manifestações de alunos, que vêm ocupando escolas para pedir melhorias, também ocorreram durante a terça-feira, na Capital. Em todo o Estado, o movimento Ocupa Tudo RS registra cerca de 150 ocupações.
No Colégio Protásio Alves, os estudantes que promovem a ocupação denunciam agressões de colegas de cursos técnicos que quiseram entrar na escola para ter aulas. Alguns estiveram reunidos, ontem, com o secretário adjunto de Educação do Estado, Luís Alcoba, para pedir a abertura de uma sindicância. A secretaria afirma estar em busca de soluções para que as mobilizações de estudantes não gerem conflitos.
O vídeo da manifestação na avenida Wenceslau Escobar, registrado por estudantes, foi divulgado pela Mídia Ninja (via Facebook).
Comandante admite excesso policial em protesto de estudantes na Capital
Adolescentes que ocupam Escola Padre Réus registraram a violência em vídeo