Polícia

Comandante admite excesso policial em protesto de estudantes na Capital

Adolescentes que ocupam Escola Padre Réus registraram a violência em vídeo

Violência ocorreu na terça-feira na zona Sul de Porto Alegre
Violência ocorreu na terça-feira na zona Sul de Porto Alegre Foto : Mídia Ninja / Youtube / Reprodução / CP
Após um policial militar ser filmado ao desferir um chute contra um estudante durante um protesto, na terça-feira, na zona Sul de Porto Alegre, o comandante do batalhão responsável pela área reconheceu o excesso do PM. Na avaliação do tenente-coronel Kleber Goulart, titular do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM), o soldado não usou da melhor técnica ao tentar retirar o adolescente da via. Ele confirma que havia determinado a desobstrução, em razão de os estudantes se negarem a liberar parte da pista, mas considera que a condução do rapaz pelo braço, como fizeram os demais PMs, teria sido suficiente.

“Eu entendi por desobstruir a via porque o contato com os estudantes não surtiu efeito. Eu até propus que garantiria que eles continuassem o protesto fora da via, mas não houve acordo. E, realmente, vi o vídeo e verifiquei que não foi o uso da melhor técnica por aquele policial. Nós vamos apurar o que aconteceu junto ao policial, verificar por que ele teve aquela atitude. Provavelmente, após a apuração, ele vai passar por uma reciclagem e a gente vai verificar no andamento”, ponderou.

Já o uso de bomba de efeito moral não foi cogitado, conforme o comandante, porque poderia ter causado um mal maior aos adolescentes e pessoas no entorno. Goulart ainda destaca que só ficou sabendo sobre o excesso do policial após assistir ao vídeo, já que não recebeu nenhuma denúncia no local da manifestação e ninguém ficou ferido. Ele ainda destaca que determinou a retirada, também, por preocupação com a segurança dos menores de idade, que resistiam na via enquanto motoristas começavam a se irritar com o bloqueio.

“O que mais me preocupou foi a segurança dos adolescentes, que se colocavam em risco. Temos casos em Porto Alegre. Imagina se uma pessoa irritada com o bloqueio de trânsito resolve investir contra um estudante, causa uma lesão ou até morte, com a Brigada Militar estando presente no local. Hoje tu estarias me perguntando outra coisa”, avaliou.

O protesto reuniu alunos da Escola Estadual de Ensino Médio Padre Réus, na avenida Wenceslau Escobar. Outras manifestações de alunos, que vêm ocupando escolas para pedir melhorias, também ocorreram durante a terça-feira, na Capital. Em todo o Estado, o movimento Ocupa Tudo RS registra cerca de 150 ocupações.

No Colégio Protásio Alves, os estudantes que promovem a ocupação denunciam agressões de colegas de cursos técnicos que quiseram entrar na escola para ter aulas. Alguns estiveram reunidos, ontem, com o secretário adjunto de Educação do Estado, Luís Alcoba, para pedir a abertura de uma sindicância. A secretaria afirma estar em busca de soluções para que as mobilizações de estudantes não gerem conflitos.

O vídeo da manifestação na avenida Wenceslau Escobar, registrado por estudantes, foi divulgado pela Mídia Ninja (via Facebook).