Polícia

Comando da PM do Rio nega paralisação de serviços

Madrugada foi tranquila na cidade após polícia ter decidido entrar em greve

Apesar da greve, nenhum grande problema foi registrado na capital ou em outros municípios da região metropolitana do Rio
Apesar da greve, nenhum grande problema foi registrado na capital ou em outros municípios da região metropolitana do Rio Foto : Vanderlei Almeida / AFP / CP
Apesar da greve decidida na noite dessa quinta pelas polícias do Rio de Janeiro e pelo Corpo de Bombeiros, a madrugada foi tranquila na cidade e, pelo menos por enquanto, de acordo com a Polícia Militar, não há previsão de emprego do uso das Forças Armadas no patrulhamento da cidade. A corporação informou que não houve interrupção nos serviços.

Em nota, o Comando da Polícia Militar informa que, na madrugada, todas as unidades funcionaram plenamente e que “não há paralisação de nenhum tipo de serviço para o cidadão”. Segundo os grevistas, 30% do efetivo do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil atenderão casos de emergência. Já os policiais militares informaram que ficarão aquartelados em seus respectivos batalhões, mas que não atenderão ocorrências.

Em Volta Redonda, viaturas retornaram para o quartel e abandonaram o patrulhamento das ruas. Cinqüenta homens do Batalhão de Choque foram enviados para a cidade, para suprir a falta de policiais.

“Em outras cidades, houve situações como viaturas que foram patrulhar juntas e algumas ameaçaram não voltar para o batalhão, mas a presença dos comandantes nos batalhões foi fundamental para evitar a interrupção do serviço”, afirmou assessor de relações públicas da Polícia Militar do Rio, coronel Frederico Caldas.

Segundo o coronel, nenhum grande problema foi registrado na capital ou em outros municípios da região metropolitana do Rio. No entanto, 500 policiais dos batalhões de Choque e de Operações Especiais (Bope) ficaram de prontidão para o caso de necessidade de suprir possíveis faltas de policiamento.

Reivindicações

As categorias reivindicam um piso salarial de R$ 3,5 mil, além de R$ 350 de vale-transporte, R$ 350 de tíquete-alimentação, e redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.

Pela proposta do governo do estado, o reajuste das categorias será dividido em duas parcelas, sendo 13% neste mês e 26% em fevereiro de 2014. Também em fevereiro de 2014, está prevista nova reposição salarial, composta pela inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), entre o período de fevereiro de 2013 e fevereiro de 2014, acrescida de 100% desse valor.

Além disso, os profissionais dessas categorias passarão a receber gratificação de auxílio-transporte no valor de R$ 100 por mês. O efetivo das três corporações no Rio chega a 70 mil homens.

"Não saiam às ruas"

A greve no Rio foi decidida após uma assembleia de cinco horas na praça Cinelândia, no centro da cidade. "Amanhã (sexta-feira), não haverá polícia civil, militar nas ruas, estaremos todos aquartelados, e apenas sairemos para eventos que envolverem risco de morte", disse após a votação o bombeiro Laercio Soares.

"População: estamos com vocês. Fiquem tranquilos. Apenas pedimos que não saiam às ruas, não levem seus filhos ao colégio, e o comércio não deve abrir neste momento. É muito importante resguardar a vida", afirmou o policial militar Thiago Rodrigues dos Reis.

"Este ano, pela primeira vez na história do Brasil, talvez seremos privados do Carnaval, aqui em nossa cidade. Este Carnaval, que é conhecido no mundo inteiro, e que é uma marca de nossa cidade", disse o bombeiro Reginaldo Adin, outro participante na assembleia do Rio

Os agentes de segurança também protestam contra a prisão na quinta-feira de um líder sindical dos bombeiros, Benevenuto Daciolo, acusado de querer ampliar a greve a outros estados e ameaçar o Carnaval. O protesto soma-se à iniciativa há nove dias da Polícia Militar da Bahia, que provocou uma onda de violência com um saldo de mais de 120 mortos, mais que o dobro da média habitual, sobretudo na capital, Salvador.


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