Polícia

Condenado por forjar ritual satânico de morte de crianças em Novo Hamburgo, delegado tem aposentadoria cassada

Ordem ocorre em aprovação de parecer da Procuradoria-Geral do Estado

Delegado Moacir Fermino Bernardo teve aposentadoria cassada
Delegado Moacir Fermino Bernardo teve aposentadoria cassada Foto : Polícia Civil / CP

Foi cassada a aposentadoria do delegado Moacir Fermino Bernardo, condenado na 2ª Vara Criminal de Novo Hamburgo, por inventar um ritual satânico envolvendo a morte de duas crianças no bairro Lomba Grande. A ordem está no Diário Oficial, aprovada pelo governador Eduardo Leite, por reconhecimento ao parecer da Procuradoria-Geral do Estado, após ação disciplinar.

A reportagem tenta contato com o delegado Fermino. O espaço permanece aberto para manifestações.

No mesmo despacho, o governo gaúcho ainda aprovou a absolvição do inspetor Marcelo Cassanta, por falta de provas. Ele também foi inocentado na Justiça e teve o processo arquivado.

O suposto crime teria ocorrido em setembro de 2017. Fermino promoveu uma coletiva de imprensa, no dia 8 de janeiro de 2018, apontando sete pessoas como envolvidas. Destas, cinco foram presas. O inquérito sustentava que as crianças teriam sido sacrificadas em um ritual satânico, após pagamento de R$ 25 mil a “bruxo”, teoricamente contratado por suspeitos na busca de “prosperidade financeira”.

Na ocasião, Fermino chegou a exibir uma capa e uma máscara de cachorro que teriam sido usadas na tal cerimônia macabra. Acontece que a Corregedoria Geral da Polícia Civil concluiu que a investigação não passava de farsa, com depoimentos falsos e incriminação de inocentes.

Em 2020, o juiz Ricardo Carneiro Duarte condenou Fermino a seis anos em regime semiaberto, por corrupção ativa e falsidade ideológica. Ele recorre em liberdade.

Conforme o magistrado, Fermino teve “comprovada participação no ato de inserir ou fazer inserir informação falsa no relatório de serviço, pois foi o responsável por fornecer as declarações aos policiais que confeccionaram o documento, e por ter sido ele o delegado responsável na obtenção das informações, a quem caberia o discernimento para averiguar a veracidade das informações através de efetivas diligências”.

Relembre o caso

Em 4 de setembro de 2017, duas crianças foram encontradas esquartejadas no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. As partes dos corpos haviam sido embaladas em sacolas plásticas e em caixas de papelão em um mato às margens de uma estrada.

Duas semanas depois, a Brigada Militar localizou outras partes dos corpos a 500 metros do local. A partir daí, foi levantada a possibilidade de que elas tenha sido esquartejadas em ritual satânico.

O líder da seita, o cliente e um parente dele acabaram sendo presos em um templo, localizado na cidade de Gravataí. Além de rituais, ele fazia palestras sobre o assunto. Todos foram soltos. Mesmo após seis anos do caso, ainda não há identidade das vítimas.

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