Polícia

Corpo de jovem pendurada no teto de carro em Giruá é liberado para atos fúnebres na Argentina

Após liberação do PML de São Luiz Gonzaga, por volta das 8h45min, traslado de Viviana Villalba deverá ocorrer por meio de balsa

Corpo de Viviana Villalba será transportado de balsa para atos fúnebres na Argentina
Corpo de Viviana Villalba será transportado de balsa para atos fúnebres na Argentina Foto : Arquivo Pessoal / Redes Sociais / Reprodução / CP

Foi liberado na manhã desta quarta-feira o corpo da mulher que acabou presa na capota de um carro após ser atropelada em Giruá, no Noroeste gaúcho. A vítima, que completaria 22 anos na data em que morreu, era natural da Argentina, onde os atos fúnebres serão realizados.

Identificada como Viviana Villalba, a jovem nasceu na localidade de Pueblo Illia, no município de Dos de Mayo, na província de Misiones. Há duas semanas, trabalhava e morava em uma boate, no entorno da RS 344, onde morreu no último domingo.

O corpo de Viviana estava no Posto Médico-Legal (PML) de São Luiz Gonzaga. Ali, por volta das 8h45min, houve a liberação. A expectativa é que o traslado aconteça até às 17h, por meio de balsa.

Os trâmites legais serão custeados pelo Executivo Municipal de Giruá. Já em território argentino, a responsabilidade do processo ficará por conta das autoridades locais.

"Poderia ter ocorrido com qualquer uma de nós"

Pouco após a tragédia, colegas da jovem atravessaram a fronteira e buscaram a mãe dela, que permanece em Giruá desde então. A familiar recebeu hospedagem e apoio emocional da dona da casa noturna onde Viviana trabalhava.

No dia do ocorrido, segundo a proprietária, o estabelecimento fechou as portas por volta da 1h30min. Duas horas depois, Viviana teria saído a pé, sem comunicar as outras. A jovem vestia apenas um moletom.

“Não vi o momento em que ela saiu. Também não sei se fez uso ou não de alguma substância ilícita. O que posso afirmar é que não permito esse tipo de coisa dentro do local”, garantiu.

Ainda de acordo com a mulher, o motorista que matou Viviana não demonstra qualquer sinal de empatia. Ele responde em liberdade.

“O condutor, que nem ao menos parou o carro para prestar socorro, continua sem demonstrar solidariedade. Queremos justiça, ele precisa responder criminalmente. Isso que aconteceu com a Viviana poderia ter ocorrido com qualquer uma de nós”, lamentou a patroa.

Inquérito apura circunstâncias do caso

A delegada titular da DP de Giruá, Elaine Maria da Silva, apura as circunstâncias do atropelamento. Há indícios que o motorista tenha tentado frear o carro no momento em que atingia a vítima.

Apesar disso, ao contrário do que foi publicado anteriormente, a delegada enfatiza que ainda não é possível atestar se o condutor parou o veículo ou não após atropelar Viviana.

Um inquérito foi instaurado para determinar o que de fato aconteceu. As conclusões deverão ser remetidas ao Judiciário em um período de até 30 dias.

Relembre o caso

No último domingo, próximo às 4h, Viviana foi atingida por um Volkswagen Fox no quilômetro 65 da RS 344. O automóvel era pilotado por um homem, 21 anos, que retornava de uma festa em Santo Ângelo.

O motorista disse em depoimento que pensou ter atropelado um animal, porque o excesso de neblina no trecho dificultava a visibilidade, e que não teria parado ali devido ao medo de ser assaltado em um local inóspito.

Uma passageira que sentava ao lado do condutor teria notado algo similar a uma perna humana no vidro traseiro, mas o veículo circulou por mais três quilômetros. Já na casa do homem, os dois desembarcaram na garagem e viram o cadáver preso no topo do veículo.

A dupla acionou a Brigada Militar, que esteve no imóvel ao lado do Instituto-Geral de Perícias (IGP). Depois, o motorista se apresentou voluntariamente à Polícia Civil, mas recusou fazer teste do bafômetro. A ocorrência foi registrada como homicídio culposo, ou seja, quando não há intensão de matar.

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