Após o sepultamento do policial, o governador Tarso Genro se reuniu com Ranolfo e o secretário de Segurança do Estado, Airton Michels. Segundo o delegado, um dos três agentes que estavam no Rio Grande do Sul para investigar sequestro de dois agricultores do Paraná, desaparecidos há 15 dias, admitiu ter atirado no militar gaúcho.
Michels avaliou como prematura a liberação dos agentes paranaenses envolvidos na morte do sargento gaúcho. Para Ranolfo, a liberação dos policiais paranaenses não trará prejuízos para a investigação. O secretário disse ainda que o colega paranaense, Reinaldo de Almeida César, não soube explicar porque os gaúchos não foram avisados da operação. César teria pedido desculpas pelo ocorrido em nome do governador Beto Richa.
Ranolfo avaliou que a relação entre as polícias dos dois estados ficou estremecida, mas que será recomposta. O trio está preso naquele estado. O efetivo paranaense não comunicou sua chegada ao RS para a polícia gaúcha na noite de terça-feira.
Não está claro de que arma partiu o disparo que matou o refém - o que só deve ser esclarecido pela perícia. O segundo empresário sequestrado foi libertado com vida e três criminosos foram presos. O dono da casa usada como cativeiro prestou depoimento como testemunha.
Polícia Civil divulga nota confirmando corregedoria no caso
Na tarde desta quinta-feira, a Polícia Civil gaúcha divulgou uma nota oficial à imprensa. O delegado Paulo Rogério Grillo, titular da DFE/COGEPOL, irá chefiar às investigações.
Entenda o caso
O 1º sargento do serviço de inteligência da Brigada Militar Ariel da Silva foi atingido por cinco disparos de fuzil por volta da 1h30min dessa quarta-feira, em Gravataí. A versão apresentada pelos policiais paranaenses é de que o policial militar (PM) atirou contra eles em uma abordagem e ocorreu então o revide com tiroteio. O coronel Silanus Mello, responsável pelo Comando de Policiamento Metropolitano da Brigada Militar, não acredita na hipótese de o PM ter decidido abordar, de moto, um carro com três ocupantes. Ariel da Silva estava à paisana, de folga e voltava da casa do pai. "O sargento estava caído, ainda com vida, ao lado da moto e da sua pistola. Estava distante cerca de sete metros atrás do Logan", disse.
Ainda ontem, um homem morreu em ação conjunta da Polícia Civil do Paraná e polícias Civil e Militar do Estado. Agentes invadiram o cativeiro onde eram mantidos dois empresários reféns – um sobrado amarelo na rua Doutor Luiz Bastos do Prado, atrás da Câmara de Vereadores de Gravataí. As circunstâncias da morte de Lírio Perscht, de 50 anos, não estão claras. A vítima foi baleada durante um tiroteio no cativeiro em que era mantida.
O policial militar atuava há 21 anos na Brigada Militar. Natural de Porto Alegre, o sargento deixa mulher e uma filha de 16 anos.