Polícia

Crime de radialista permanece sem solução na Bahia

Corpo de Djalma Santos foi encontrado em 23 de maio de 2015

Crime de radialista permanece sem solução na Bahia
Crime de radialista permanece sem solução na Bahia Foto : Youtube / Reprodução / CP
*Texto de Bob Fernandes

Djalma Santos da Conceição está no ar com seu programa Acorda Cidade, das 6h às 8h na RCA-FM 87.9, rádio comunitária e o meio de comunicação de Conceição da Feira, cidade de 23 mil habitantes a 126 quilômetros de Salvador (BA). Djalma diz, aos gritos: “Ninguém vai calar a minha voz”. Pouco depois das 22h, nessa mesma sexta-feira, com o pandeiro de sempre Djalma está na habitual roda musical no quiosque-bar de sua propriedade, na vizinha Governador Mangabeira. Umas 15 pessoas estavam em torno do quiosque montado em uma pracinha no lugarejo chamado Sítio dos Brejos.

Três ou quatro homens encapuzados e armados se aproximam do quiosque e obrigam Djalma, com o pandeiro nas mãos, a entrar no porta-malas de “um carrão branco”. É o máximo que testemunhas diriam depois. Dois anos depois, para essa reportagem e gravação do documentário sobre jornalistas assassinados, chegamos às 20h, repórter e fotógrafo, ao quiosque-bar em Sítio dos Brejos, uma quebrada de Governador Mangabeira. Na pracinha mal iluminada meia dúzia de homens ouve, mas não responde, às perguntas sobre Djalma. Quando o carro começa a se afastar, alguém grita para anotar as placas.

O corpo de Djalma foi encontrado no fim da madrugada de 23 de maio de 2015. Na beira de um matagal ao lado da BR 101, em Timbó. O radialista foi morto com 15 tiros. Na cena do crime, um conjunto de mensagens. Djalma foi morto com 15 tiros. O pandeiro sobre o corpo e em cima do pandeiro uma nota de R$ 2.

Nuzia Alves das Dores é irmã de Djalma. Ela montou na sua moto Bros 150 e, pouco depois das 23h, arrancou rumo ao quiosque de Djalma em Sítio dos Brejos. Já madrugada voltou para casa à espera de notícias. “Djalma estava preocupado, dizia ter sido ameaçado, mas sem dizer por quem”, contou a irmã.

Segundo a Nuzia, o radialista falou que estava sendo perseguido por alguém da política porque tinha recebido uma proposta para ser vereador. Ele estava andando com um colete à prova de balas. Conta que um homem foi ao quiosque-bar à procura de Djalma. E deixou ameaça: Djalma não duraria 30 dias. “Ele tinha denunciado pessoas do tráfico”. Mais cedo, em entrevista gravada na RCA-FM, Djalma falou no ar que tinha uma bomba que iria abalar Conceição da Feira e São Gonçalo dos Campos”.