A rotina tranquila da vizinhança da rua Visconde de São Leopoldo, em balneário Quintão, no Litoral Norte, foi abalada por um crime brutal. Além da violência do caso, um contraste chama a atenção: a diferença entre como Milton Prestes da Silva, de 55 anos, e sua companheira eram vistos pela comunidade.
Silva era descrito como um homem simpático e trabalhador. Vizinhos contam que ele sempre cumprimentava a todos e demonstrava educação. “Se não fosse trabalhador, não iria vender churrasquinho para sobreviver”, comentou um dos poucos moradores da área e que, por receio, prefere não se identificar.
Já a mulher, que permaneceu no local por dias após o crime, era reclusa. “Nunca enxerguei ela, passava ali todo dia e nunca vi. Eles ficaram pouco tempo, mas todos dizem que ela era muito estranha”, complementa.
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O casal chegou ao balneário no início do ano, vindo de Campo Bom, no Vale do Sinos, e antes de se instalar na residência onde o crime ocorreu, morou brevemente em outro endereço. Lá, a mulher já havia causado preocupação, após relatos de que teria tentado dopar uma pessoa idosa com comprimidos.
O filho dela, que confessou ter matado, esquartejado e queimado o padrasto, também teria morado por um temo no local. No período em que conviveu com a comunidade, foi visto por moradores como "grosso" e chegou a destratar enfermeiros ao precisar de atendimento médico.
Nos dias seguintes ao assassinato, mesmo estando com o corpo do marido escondido no freezer, a mulher teria mantido o estabelecimento do companheiro aberto. “Ela nunca fechou, mas não sei se alguém comprava alguma coisa”, relatou um vizinho.
Além disso, na segunda-feira à tarde, ela pediu uma pá emprestada, possivelmente para tentar enterrar o homem. “A gente vê coisas piores diariamente, mas não imagina que vai acontecer perto da nossa casa, ainda mais na praia. O que mais me surpreendo é ela guardar o corpo por quatro dias dentro freezer. É muito macabro”, afirma. “A morte poderia até ter sido provocada por impulso, mas o mais chocante é ter coragem de cortar os pedaços e dormir com uma pessoa que você matou dentro de um freezer.”, conclui.
Nesta quarta-feira, a casa foi completamente esvaziada pelos proprietários. Daniel da Silva Staxaki, 29 anos, e Caroline Vieira, 24, que vivem em Alvorada, foram ao local para limpar o imóvel e retirar os pertences. “Minha irmã alugou para eles, mas não conhecíamos muito sobre os dois. Parece que alugaram só para isso”, lamentou o homem. O imóvel, agora vazio, tem atraído olhares curiosos de quem passa pela rua. “A casa ficou marcada”, acrescentou.
A residência contava com três quartos, sendo que um deles, sem uso, foi onde o crime aconteceu. O corpo foi esquartejado no local e guardado no freezer por quatro dias. A suspeita permaneceu na casa até a descoberta, quando fugiu. O carro dela foi encontrado na terça-feira, abandonado em uma área de mata próxima à Lagoa do Quintão, com ferramentas que podem ter sido usadas no crime.
Na residência, as marcas do crime brutal ainda estão presentes. No cômodo em que Silva foi queimado, mesmo após limpo o piso ainda está com os sinais deixados pelo fogo. Uma tomada chegou a derreter com o calor. Nos fundos do imovei também é possível visualizar um buraco aberto por ela para tentar enterrar o marido.