Os corpos de Sheila Lopes da Silva, 41 anos, e do pai Rogério Santos da Silva, 61 anos, foram velados na manhã desta segunda-feira na Ilha Grande dos Marinheiros, no bairro Arquipélago, em Porto Alegre. No dia anterior, no mesmo local, ambos foram mortos a tiros por um homem de 56 anos, ex-companheiro de Sheila, que permanece hospitalizado sob custódia. Um vizinho deles também foi baleado e tem quadro de saúde considerado crítico.
De acordo com familiares, Sheila era confeiteira e o ex-marido atuava como segurança, além de ser proprietário de um bar ao lado da casa do sogro. Há seis meses, após mais de duas décadas casados, eles estavam em processo de separação. O homem não aceitava o fim do relacionamento, disseram os parentes.
O casal teve dois filhos. O mais velho, de 20 anos, é militar do 3º Regimento de Cavalaria. Na data do crime, estava em recesso de Dia dos Pais e, por isso, presenciou os fatos. Apesar do luto, aceitou conversar com a reportagem durante o velório.
Paulo Fernando Rodrigues Filho conta que o pai abordou a mãe com o suposto intuito de conversar. Os dois teriam caminhado até a residência do pai dela, onde ela foi atingida por disparos de pistola no rosto e tórax. Paulo conta que o avô tentou defender Sheila, mas também acabou sendo baleado e morreu.
“Fiz de tudo para evitar o crime, mas meu pai disse que também me mataria caso eu tentasse impedi-lo. Só consegui socorrer minha mãe após a munição da arma ter acabado. Infelizmente, na hora senti que o pulso dela estava muito fraco e que já era tarde demais”, descreveu Paulo Fernando Rodrigues.
Além de Sheila e Rogério, ainda foi alvejado um rapaz de 20 anos que passava no local. O jovem mora na vizinhança e, ao perceber o ocorrido, teria feito menção de conter o atirador.
Paulo Rodrigues destacou que o pai já havia feito ameaças anteriores contra a vida da mãe. Ela não tinha medida protetiva de urgência em vigor.
“Minha mãe costumava dizer que a medida protetiva não seria útil, porque nada impediria meu pai de matá-la, caso ele realmente estivesse decidido fazer isso. Foi um assassinato premeditado. Tenho receio que ele alegue insanidade e consiga ser enviado a um instituto psiquiátrico, ao invés da prisão”, desabafou.
De acordo com a Brigada Militar, o atirador foi atingido por um tiro de raspão no rosto. Depois, se rendeu e entregou a pistola. Entretanto, a Polícia Civil alega que o homem ficou ferido após atentar contra a própria vida. O filho dele afirmou acreditar que o disparo tenha sido efetuado por outros moradores da região.
"Meu pai não atirou contra si mesmo. Quando ele disse que faria isso, a arma dele já estava sem munições. Tudo não passou de encenação para, depois, alegar insanidade. Ele é um exímio atirador, jamais teria errado um disparo assim”, avaliou Paulo Fernando Rodrigues Filho.
O sepultamento ocorrerá a partir das 14h, no Cemitério São Pedro, em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana. Conforme a Delegacia de Polícia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) da Capital, que investiga o caso, o atirador tem saúde estável e não corre risco de morrer.