O Rio de Janeiro viveu momentos de pânico, na manhã deste sábado, quando um grupo de traficantes trocou tiros com a polícia e invadiu o Hotel Intercontinental, na zona Sul da cidade. Uma operação conjunta entre o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e a Polícia Militar realizou uma varredura no local no final da manhã.
Durante o tiroteio, motoristas que estavam dentro do túnel Zuzu Angel, que liga São Conrado à Gávea, chegaram a voltar de marcha a ré. O trânsito acabou sendo fechado pelos funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego durante mais de uma hora. Bandidos invadiram condomínios de classe alta tentando fugir da polícia. Outros entravam em ônibus que passavam pelo lugar. No meio do confronto, moradores se jogavam no chão para tentar se proteger. Lojas foram atingidas pelos tiros. O Shopping Fashion Mall, famoso por suas lojas de grifes sofisticadas, não abriu.
Os criminosos foram presos e com eles a polícia apreendeu oito fuzis, cinco pistolas, granadas e farta munição, de acordo com o chefe da assessoria de imprensa da PM, coronel Henrique Lima Castro. Trinta e cinco pessoas que estavam na cozinha do hotel foram feitas reféns e liberadas no final da manhã. Pelo menos 400 clientes estavam hospedados no Intercontinental, que abrigava também um congresso de Odontologia. Uma mulher, identificada como Adriana Medeiros, morreu baleada ao sair de um táxi. Segundo a polícia, a vítima fazia parte do grupo de bandidos e foi baleada em frente a um prédio de classe média alta, quando tentava fugir. Três policiais ficaram feridos sem gravidade.
O confronto começou por volta da 8h30min, quando, segundo a polícia, um "bonde" de traficantes da Rocinha, no bairro São Conrado, estava voltando para a favela depois de passar a noite no Vidigal, morro próximo, dominado pela mesma facção criminosa. Na avenida Niemeyer, que liga Leblon a São Conrado, o grupo encontrou com policiais do 23º Batalhão da Polícia Militar. Começou um tiroteio, que durou em torno de 40 minutos. Na fuga, dez homnes armados com fuzis invadiram o Hotel Intercontinental, em frente à praia, e fizeram funcionários e clientes reféns.
Foram quase duas horas de negociação com policiais do Bope. A mãe de um dos bandidos, morador da Rocinha, chegou a ser chamada para convencer o filho a se entregar. "Eu pedi, mas ele não quis me ouvir", disse Dinalva, chorando muito na porta do hotel. Mesmo assim, minutos depois, o grupo libertou os reféns e se entregou à policia. Além do Bope, policiais de outros dois batalhões cercaram a área. Até o "caveirão", o carro blindado da polícia, foi chamado para ajudar na operação.
Criminosos que invadiram hotel espalharam o pânico no Rio
Após tiroteio, grupo fez 35 pessoas reféns