Criminosos que mataram cinco em Mostardas se identificaram como policiais
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Criminosos que mataram cinco em Mostardas se identificaram como policiais

Em vídeo gravado por um dos integrantes, é possível ouvir os disparos e a violência do ataque na boate na Região Sul do Estado

Por
Franceli Stefani

Com reforço no policiamento, Brigada Militar realiza abordagens em ruas e avenidas para devolver à população a sensação de segurança

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“Polícia, polícia, deita, deita”. Foi dessa maneira que os criminosos adentraram, na madrugada de sábado, em uma boate na localidade de Solidão, a cerca de 60 quilômetros ao norte do Centro do Mostardas, na Região Sul do Estado. No ataque, três homens e duas mulheres foram assassinados a tiros. Outros quatro ficaram feridos e foram encaminhados a unidades de saúde de Porto Alegre. No vídeo que circula em grupos de WhatsApp, um dos criminosos anuncia que vai colocar o aparelho no bolso e grava, em pouco menos de três minutos, o ataque. As imagens são escuras, mas é possível ter ideia da organização, rapidez e frieza do grupo.

“Baixa o vidro que eu vou abrir a porta”, fala um dos homens. Nesse instante as portas abrem e passos são ouvidos, logo depois a música que tocava na boate invade a gravação. “Deita, deita, deita que é polícia, polícia, deita, deita”. São ouvidos os primeiros disparos. O som cessa e somente os estampidos ficam em evidência. São muitos. As armas são recarregadas diversas vezes. A ação dura pouco tempo. Passos mais acelerados são ouvidos, até que saem da casa. Um dos integrantes pede calma. “Fica esperto, fica esperto aqui”.

Mesmo do lado de fora da casa noturna os tiros seguem. “Vamo mano, pula, pula, cadê o piá, cadê o piá”, grita um dos membros da quadrilha, chamando o colega pelo nome, que não vai ser divulgado para não atrapalhar as investigações. “Dale, dale, calma rapaziada não se emociona. Já era, já era”, fala pedindo para que todos embarquem no carro. Na saída, eles gritam o nome da facção criminosa, originária da Zona Leste da Capital, a qual fazem parte e comemoram o êxito da ação.

De acordo com o responsável pelo Comando Regional de Polícia Ostensiva do Litoral (CRPO Litoral), coronel Luiz Ernesto Duarte, que assistiu ao vídeo produzido pelos bandidos, diz que eles se identificam como policiais para fazer com que os alvos obedeçam as ordens sem reagir. “Querem passar uma certa tranquilidade, mas na verdade são criminosos. A polícia jamais entraria desse jeito. Na gravação, é possível identificar a organização responsável pelo crime. A Polícia Civil vai conseguir prendê-los, vamos ajudá-los no que for preciso.”

Enquanto a investigação é feita, a Brigada Militar (BM) realiza barreiras e abordagens, com intuito de evitar que novos fatos aconteçam. A força-tarefa ainda não tem data para ser finalizada. “Precisamos trabalhar com inteligência, através dessa área nós conseguimos evitar que situações ocorram, mas outras não. Nosso foco é manter a segurança da comunidade”, frisa. Duarte pondera que a região é tranquila e que o que aconteceu na madrugada do sábado foi algo isolado. Ele relembra que há cerca de três anos um homem, proprietário de boate, foi assassinado no município. Desta vez, o alvo novamente foi uma casa de diversão adulta. Os alvos, de acordo com ele, seriam a dona do empreendimento e uma das vítimas que acabou morrendo no local. “A mulher teria visto pelas câmeras de monitoramento a chegada do bando, se escondeu e conseguiu fugir. O ataque, ao que tudo indica, é em decorrência da guerra entre as facções criminosas.”

A reportagem tentou contato com o delegado substituto da Delegacia de Mostardas, João Henrique Gomes de Almeida, que informou que “as informações sobre as investigações do caso de Mostardas serão repassadas, por ora, via Divisão de Comunicação Social da Polícia Civil”. O setor foi procurado e disse que os trabalhos estão em andamento e nenhum detalhe foi informado. Enquanto isso, o policiamento ostensivo foi reforçado.