A desarticulação pela Polícia Federal de um grupo simpatizante do Estado Islâmico deixou mais evidente que o sistema de criptografia ponta-a-ponta, que não permite a identificação de mensagens quando armazenadas pelos usuários do WhatsApp e do Telegram, dificulta as investigações. Conforme o especialista em criptografia e diretor da Sociedade Brasileira de Computação, Adelino Zorzo, a identificação de mensagens criptografadas tornou o trabalho de inteligência e investigação ainda mais complicado, mas não impossível.
“Se a comunicação for bem feita, é pouco provável que as autoridades consigam monitorar e identificar, com 100% de certeza, as fontes suspeitas criminosas. Mas as pessoas podem deixar algum ponto falho e é por aí que os terroristas podem ser identificados. Mas esse problema não é novo. Temos hoje mais tecnologia, mas a dificuldade de identificação sempre existiu”, explicou.
Zorzo salienta que os servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) ou da Interpol, por exemplo, conseguem analisar pontos da rede com fluxo excessivo de mensagens criptografadas de pessoas suspeitas interceptadas através de outras atividades, fora do WhatsApp. No caso do grupo identificado com Estado Islâmico no Brasil e desarticulado pela PF, incluindo um gaúcho, as atividades podem ter começado a ser monitoradas ainda no ano passado, segundo o especialista em criptografia. “Certamente eles estão sendo monitorados há bastante tempo porque a criptografia é recente. Vale lembrar que outras movimentações são monitoradas pelos agentes de inteligência”.
Em coletiva, o ministro da Justiça, Alexandre Moraes, disse que os dez presos após trocarem mensagens preparatórias a um atentado terrorista pertenciam a um grupo amador. Ele admitiu, porém, que o fato não pode ser ignorado pelas forças de segurança.
Criptografia atrapalha, mas "pontos de falha" permitem identificar mensagens de terroristas
Grupo que planejava ataque na Rio 2016 estava sendo monitorado pela PF desde 2015