Polícia

De janeiro a outubro, núcleo de Operação com Cães realizou pelo menos cem apoios operacionais

Quando os cães encerram suas atividades, geralmente são adotados por pessoas ligadas aos animais

O Núcleo de Operação com Cães (NOC), como é chamado o canil que abriga os agentes caninos da Polícia Civil gaúcha, iniciou as atividades em 2011 e, realizou, entre janeiro e outubro deste ano, pelo menos cem apoios operacionais, nove demonstrações e cinco cursos de formação. “Eles não atuam somente na repressão, mas também fazem demonstrações e mostram o trabalho. Isto também possibilita uma aproximação da Polícia Civil com a comunidade. E ainda tem a parte pedagógica, com os cursos na Academia de Polícia, em que os treinadores participam com os cães novos e os policiais, para mostrar as técnicas”, explica Souza.

Quando os cães da Polícia Civil encerram suas atividades, geralmente são adotados por pessoas ligadas aos animais, adestradores ou policiais que já trabalharam com cães. “Existem sempre muitas pessoas interessadas, muitas famílias adotivas estão na fila esperando por um deles”, explica o delegado. No caso da Dana e do Califa, os próprios treinadores (Vizeu e Travassos) solicitaram a adoção. “Eles têm preferência, é claro. Acompanharam os dois desde o início.”

Dana e Califa trabalharam sete anos no Denarc e, agora, ainda têm alguns anos de vida pela frente, que serão inteiramente dedicados à diversão e ao amor àqueles que se dedicaram a eles por tantos anos: seus treinadores. Veterinários que acompanham a iniciação dos cães no Denarc fazem um cálculo específico para que seja possível determinar um tempo razoável para os cães trabalharem e aproveitarem a vida sem compromisso.

Souza diz que o canil do Denarc, após a aposentadoria de Dana e Califa, ainda conta com cinco cães. Os dois veteranos faziam parte da chamada “linha de frente”, eram altamente especializados. “O faro deles foi responsável, num conjunto probatório em diversas investigações da Polícia Civil, principalmente nas revistas de locais, veículos e pessoas, pela retirada de vários criminosos de circulação”, frisa.

Souza ainda explica que a prova coletada pelos cães é praticamente irrefutável. “Ninguém questiona, a prova deles é prova objetiva, sem qualquer interesse, transparente, que auxilia muito o combate ao narcotráfico.” Os cães trabalham no serviço de impacto, seja depois da investigação ou abordagem de rua. Sempre há o momento da execução e é nesta hora que eles entram em cena. “Os agentes caninos estão na Divisão Operacional. A participação do cão serve para inocentar pessoas que não cometeram crimes e para indiciar e condenar pessoas que cometeram crime”, explica. “Sem a presença do animal muitas vezes perderíamos toda a construção, que é a investigação.”

Após mais de 80 meses de trabalho intenso, Dana e Califa, enfim, viverão a famosa “vida de cachorro”. Os dois trocaram o canil do Denarc pela companhia dos treinadores, agora papais, com muito espaço para brincar. Vizeu revela que Dana, quando chegou a sua casa, estranhou muito. “Nos primeiros dias ela ficava correndo de um lado para o outro e não sabia o que fazer”, conta. Ela ficou perdida sem os comandos do treinador mas, assim que eles trocaram olhares, ele disse: “Esse território é teu, brinca, te diverte”. E foi o que ela fez. Em duas semanas morando com Vizeu, Dana era uma labradora diferente daquela que trabalhava na Polícia Civil. “Ela ficou muito mais brincalhona, parece que relaxou mesmo. Agora que não tem mais responsabilidades, ela mudou”, conta.

Vizeu já tinha um cão em casa e, agora, além de um lar Dana ganhou também um irmão. “Ela está superbem, foi muito fácil a adaptação.” Antes da mudança completa, os treinadores realizam um trabalho de transição com os cães. “Começamos a reduzir a atividade deles, tiramos do canil apenas para passear e, automaticamente, eles vão desacelerando”, ressalta Travassos.

Califa já era o melhor amigo de Travassos, mas agora eles também moram juntos. “De parceiros de trabalho, agora viramos amigos. É uma fase que precisa chegar para o cão, até em sinal de respeito a ele”, destaca. Califa e Dana trocarão o treino pela brincadeira.