Polícia

Defensor público questiona fiança de R$ 6 mil para mulher que arremessou TV

Aparelho foi jogado de um prédio e atingiu viatura da BM no Centro de Porto Alegre

Viatura da BM foi atingida por televisor na avenida Salgado Filho
Viatura da BM foi atingida por televisor na avenida Salgado Filho Foto : Brigada Militar / Divulgação / CP
O defensor público Felipe Kirchner, responsável pela defesa da mulher suspeita de arremessar uma TV que atingiu uma viatura da Brigada Militar no Centro de Porto Alegre, durante a madrugada desta terça-feira, questiona a fiança de R$ 6 mil. O incidente ocorreu em um prédio localizado na avenida Senador Salgado Filho e terminou com a prisão da mulher. 

"Na verdade, o companheiro dela disse que houve uma discussão entre eles, não houve agressão. É que ela atirou a televisão nele e ele não conseguiu segurar porque tem uma deficiência física em um dos braços. Entendemos como inadequada a prisão dela porque nunca teve intenção de causar dano. A fiança de R$ 6 mil é totalmente desproporcional. Ela é ré primária e está grávida de quatro meses", revelou Kirchner em entrevista ao Correio do Povo.    

O advogado reiterou que a sua cliente não teve intenção alguma de lesionar o companheiro ou de danificar a viatura da BM. O valor da multa, segundo o defensor público, seria um exagero se comparado a outros crimes como embriaguez ao volante ou receptação. "É o próprio delegado de plantão que estipula a fiança, mas o valor determinado foi demais, até pela situação econômica dela e pelo incidente em si. Seis mil é muito mais do que o dano causado no carro. Não é o montante que costumamos ver em outros flagrantes. Embriaguez ao volante, por exemplo, normalmente se solicita págamento deum salário mínimo", argumentou. 

Kirchner explicou ainda que, com a prisão,  a mulher poderá ter dificuldade para retomar a vida. "O caso é banal e vai gerar um processo. Não é bom para ela, nem para a sociedade. Ela tem agora a possibilidade de sofrer duas penas com responsabilidades distintas: uma na esfera civil e outra na esfera penal. Não concordamos com isso", disse. 

Pedido de liberdade  


Após o incidente, a mulher foi autuada em flagrante por dano ao patrimônio público. Ela foi levada à 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). Como a fiança não foi paga, ela foi levada à Penitenciária Feminina Madre Pelletier. "A gente fez o pedido de liberdade para ela, que foi encaminhado à Justiça junto cokm o pedido de flagrante. Se o juiz plantonista homologar, solicitaremos a liberdade provisória porque não há justificativa para ela ficar presa", concluiu Felipe Kirchner.