Os defensores do empresário Luiz Henrique Sanfelice, preso na Audiência Nacional, em Madri, Espanha, tiveram uma reunião no final desta tarde, em Porto Alegre. Um dos defensores, Mathias Nagelstein, disse que ele e os outros dois colegas ainda não têm informações sobre a situação de Sanfelice. Foram enviadas correspondências às autoridades espanholas.
“Encaminhamos correspondência essa semana e esperamos receber resposta entre segunda e terça feira”, disse o advogado. “Aí decidiremos o procedimento que vamos tomar”.
O advogado disse não ter conhecimento se ocorrerá alguma audiência naquele país na próxima semana para discutir a extradição.
A Polícia Federal (PF) está investigando se o empresário Luiz Henrique Sanfelice, fraudou documentos para conseguir a cidadania espanhola. De acordo com o superintendente da PF no Rio Grande do Sul, delegado Ildo Gasparetto, a instituição está verificando como é o trâmite para a concessão da cidadania espanhola. Gasparetto não descartou a possibilidade dele ou o delegado federal Farnei Franco, representante da Interpol no Estado, irem a Madri para agilizar procedimentos.
Os advogados argumentam que Sanfelice possui as cidadanias espanhola e italiana e que ambas foram adquiridas antes de 2004 - ano do crime. A 1ª Vara Criminal de Novo Hamburgo está reunindo a documentação sobre a condenação do empresário para encaminhar ao Ministério da Justiça. O material deve ser entregue ao Ministério das Relações Exteriores, que entrará em contato com a Justiça espanhola pedindo a extradição do réu.
O crime
O corpo de Beatriz foi encontrado carbonizado junto com o carro de Sanfelice, no Santuário Mãe de Deus, em Novo Hamburgo, em 12 de junho de 2004. No primeiro depoimento do empresário à Polícia Civil, ele afirmou que a esposa havia desaparecido no Dia dos Namorados após ambos deixarem a sua residência, na rua Heller, centro de Novo Hamburgo, com destino a uma agência bancária.
No local, o casal teria sacado R$ 1 mil e trocado de carros. Sanfelice disse ainda que o combinado seria almoçarem com um casal de amigos, mas o compromisso foi cancelado e Beatriz não foi mais localizada.
A condenação
Sanfelice foi condenado por cinco votos a dois por homicídio triplamente qualificado, em dezembro de 2006. No julgamento, testemunhas confirmaram a crise conjugal e detalhes da premeditação do crime. Também pesou contra o acusado um arquivo de computador de quatro dias antes da morte com o roteiro pré-elaborado para a realização do assassinato.
A ex-empregada doméstica do casal, acusada de falso testemunho e julgada no processo como cúmplice, foi absolvida, também por cinco votos a dois. O julgamento do empresário durou cerca de 40 horas, divididas em três dias de trabalhos. Sanfelice foi detido e, em março de 2007, transferido para o regime semi-aberto.
A fuga
Sanfelice cumpria pena no Presídio Estadual de Novo Hamburgo quando saiu para trabalhar e não voltou, em abril de 2008. Na mesma semana da fuga, o Tribunal de Justiça do Estado determinou a volta ao regime fechado até ele passar por exame psicossocial.
Defensores de Sanfelice aguardam informações de autoridades espanholas
Advogados não sabem se haverá audiência na Europa para discutir a extradição