Polícia

Defensoria entrará com ação para Sanfelice cumprir processo de extradição em liberdade

Objetivo da estratégia é manter o empresário na Espanha

O defensoria pública espanhola deve entrar com um pedido no Tribunal de Madri para que Luiz Henrique Sanfelice responda ao processo de extradição em liberdade. A ação, que deve ser feita nos próximos dias, tem o objetivo de fazer o empresário aguardar a resolução do caso na Europa.

Os advogados do empresário condenado por matar a mulher, a jornalista Beatriz Helena de Oliveira Rodrigues, em 2004, entraram em contato com o profissional designado para defender Sanfelice na Europa, Augustín Diez, e obtiveram informações sobre a estratégia elaborada. A vontade de Sanfelice é cumprir a pena no país onde ele tem cidadania. 

No entanto, a advogada Gabriela Michaelsen avalia que será difícil que o empresário consiga responder ao processo na Espanha: “O advogado de lá vai tentar, mas eu acho difícil, porque ele já foi condenado aqui. Não tenho pleno conhecimento das leis de lá, mas é a lógica”

O crime

O corpo de Beatriz foi encontrado carbonizado junto com o carro de Sanfelice, no Santuário Mãe de Deus, em Novo Hamburgo, em 12 de junho de 2004. No primeiro depoimento do empresário à Polícia Civil, ele afirmou que a esposa havia desaparecido no Dia dos Namorados após ambos deixarem a sua residência, na rua Heller, centro de Novo Hamburgo, com destino a uma agência bancária.

No local, o casal teria sacado R$ 1 mil e trocado de carros. Sanfelice disse ainda que o combinado seria almoçarem com um casal de amigos, mas o compromisso foi cancelado e Beatriz não foi mais localizada.

A condenação

Sanfelice foi condenado por cinco votos a dois por homicídio triplamente qualificado, em dezembro de 2006. No julgamento, testemunhas confirmaram a crise conjugal e detalhes da premeditação do crime. Também pesou contra o acusado um arquivo de computador de quatro dias antes da morte com o roteiro pré-elaborado para a realização do assassinato.

A ex-empregada doméstica do casal, acusada de falso testemunho e julgada no processo como cúmplice, foi absolvida, também por cinco votos a dois. O julgamento do empresário durou cerca de 40 horas, divididas em três dias de trabalhos. Sanfelice foi detido e, em março de 2007, transferido para o regime semi-aberto.

A fuga

Sanfelice cumpria pena no Presídio Estadual de Novo Hamburgo quando saiu para trabalhar e não voltou, em abril de 2008. Na mesma semana da fuga, o Tribunal de Justiça do Estado determinou a volta ao regime fechado até ele passar por exame psicossocial.