A defesa do empresário Luiz Henrique Sanfelice ingressará com medida judicial, ainda a ser definida, para que ele permaneça na Espanha. A prisão do condenado de ter matado a mulher, a jornalista Beatriz Helena de Oliveira Rodrigues, de 43 anos, em Novo Hamburgo, em 2004, foi ratificada nesta segunda-feira pela Justiça espanhola. Sanfelice, que estava foragido desde 2008, foi capturado em Sevilha pela Interpol, na semana passada.
A Justiça da Espanha ouviu nesta segunda-feira o depoimento do empresário, segundo informações do jornal local, Diário de Sevilha. Na ocasião, ele manifestou interesse de cumprir a pena na Europa. “Nós não sabíamos, até o presente momento, se ele pretendia ficar lá. Como ele manifestou o interesse, vamos defendê-lo nesse sentido”, explicou uma das advogadas dele no Brasil, Gabriela Michaelsen. A audiência marcou o início do processo de extradição do empresário.
Gabriela ressaltou que está sendo muito difícil o trabalho de defesa, porque os advogados não têm habilitação para atuar na Espanha. Segundo ela, Sanfelice já tem um defensor público no país. Ela disse que os advogados brasileiros não receberam nenhuma intimação ou comunicado sobre a sua prisão. Uma reunião será marcada com a família do empresário nesta semana para definir estratégias de defesa.
O crime
O corpo de Beatriz foi encontrado carbonizado junto com o carro de Sanfelice, no Santuário Mãe de Deus, em Novo Hamburgo, em 12 de junho de 2004. No primeiro depoimento do empresário à Polícia Civil, ele afirmou que a esposa havia desaparecido no Dia dos Namorados após ambos deixarem a sua residência, na rua Heller, centro de Novo Hamburgo, com destino a uma agência bancária.
No local, o casal teria sacado R$ 1 mil e trocado de carros. Sanfelice disse ainda que o combinado seria almoçarem com um casal de amigos, mas o compromisso foi cancelado e Beatriz não foi mais localizada.
A condenação
Sanfelice foi condenado por cinco votos a dois por homicídio triplamente qualificado, em dezembro de 2006. No julgamento, testemunhas confirmaram a crise conjugal e detalhes da premeditação do crime. Também pesou contra o acusado um arquivo de computador de quatro dias antes da morte com o roteiro pré-elaborado para a realização do assassinato.
A ex-empregada doméstica do casal, acusada de falso testemunho e julgada no processo como cúmplice, foi absolvida, também por cinco votos a dois. O julgamento do empresário durou cerca de 40 horas, divididas em três dias de trabalhos. Sanfelice foi detido e, em março de 2007, transferido para o regime semi-aberto.
A fuga
Sanfelice cumpria pena no Presídio Estadual de Novo Hamburgo quando saiu para trabalhar e não voltou, em abril de 2008. Na mesma semana da fuga, o Tribunal de Justiça do Estado determinou a volta ao regime fechado até ele passar por exame psicossocial.
Defesa de Sanfelice tentará mantê-lo na Espanha
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