Polícia

Deic tem prova que reforça tese de latrocínio no caso Eliseu Santos

Gravação mostra assaltante falando com delegado

Delegado analisa o vídeo
Delegado analisa o vídeo Foto : Antônio Sobral
O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil já tem uma prova que reforça a tese de latrocínio (roubo seguido de morte da vítima) do assassinato do ex-secretário da Saúde de Porto Alegre Eliseu Santos. O assaltante conhecido como Robinho conversou com o delegado Heliomar Franco, da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DFRV) do Deic, sem saber que estava sendo filmado e gravado. A gravação foi encaminhada na manhã de hoje à Justiça, onde será anexado ao processo.

Robinho tinha sido preso há uma semana na Operação Batedor, da DFRV, quando foi desarticulada uma quadrilha de roubos de veículos oriunda de Sapucaia do Sul, a qual agia em bairros de classe média e alta de Porto Alegre. Ele confirmou que conduzia o Vectra em que estavam os dois parceiros e disse que pretendiam roubar um veículo no bairro, visualizando o Toyota Corolla estacionado na rua Hoffman, no bairro Floresta, na noite de 26 de fevereiro. “Era qualquer carro”, assegurou.

O trio teve a atenção despertada quando viu o pisca-pisca do carro sendo acionado pela desativação do alarme, provavelmente por Eliseu Santos. “Tinha gente fora do carro”, relembrou Robinho, explicando que passaram pelo Corolla em sentido contrário antes da abordagem. Ele acrescentou que os dois parceiros desceram do Vectra para cometer o assalto enquanto permanecia na direção do carro. O Vectra seria abandonado e incendiado dois dias depois do crime próximo ao Santuário das Mães, no bairro Roselândia, em Novo Hamburgo. “Não sabia o que fazer”, explicou ao falar sobre o destino dado ao carro.

Robinho contou que não viu a abordagem dos cúmplices pois ficou no Vectra, mas ouviu os tiros e os cúmplices correndo de volta e embarcando no carro, fugindo todos em seguida do local. Ele afirmou que não sabia quem estava no Corolla.

O acusado revelou ainda que os cúmplices costumavam repassar os veículos roubados por até R$ 2 mil, mas não soube apontar os receptadores. “Não sei para quem iam vender”, disse. Ao ser questionado se conhecia alguém da empresa de vigilância privada Reação, ele negou. “Não conheço nem mais gordo, nem mais magro”, afirmou.

O delegado Heliomar Franco recordou que um dos assaltantes que trocaram tiros com Eliseu Santos já tinha comentado antes que o roubo deu errado diante da reação inesperada da vítima. “Eles não sabiam quem estavam atacando”, avaliou o titular da DFRV, que tenta ouvir os dois cúmplices de Robinho, presos dias depois do crime, mas não conseguiu liberação até o momento.

Para Heliomar Franco, os criminosos escolheram o carro de Eliseu Santos quando passaram ao acaso por ele no momento em que o alarme estava sendo desligado e a vítima preparava-se para embarcar no Corolla. “O bairro tem grande incidência de roubos de veículos”, destacou. O delegado quer pedir agora a prisão preventiva dos líderes da quadrilha, Japonês, e de seu braço direito, Júlio Seco, que estão foragidos desde a realização da Operação Batedor.

Veja o vídeo do depoimento: