Polícia

Delegada confirma indiciamento de vigilante

Rodrigo Luciano Luz manteve a ex-mulher como refém em Canoas

O vigilante Rodrigo Luciano Luz, de 32 anos, que manteve a ex-mulher Josiane Pontes, 29, como refém por 69 horas no feriadão do Carnaval será indiciado pelas práticas de cárcere privado, lesões corporais, tentativa de homicídio, receptação e porte ilegal de arma. O indiciamento do acusado foi confirmado na manhã desta terça-feira pela titular da Delegacia da Mulher de Canoas, Kátia Reinheimer, que encaminhará o inquérito à Justiça nesta quarta-feira.

De acordo com a delegada, a ex-mulher de Luz teria solicitado a ele que se entregasse às autoridades policiais tão logo a moradia onde vive com os filhos, no bairro Guajuviras, foi cercada por efetivos da Brigada Militar e Polícia Civil. Em depoimento, a mulher também denunciou ter sido agredida fisicamente e ameaçada de morte no período em que permaneceu como refém do vigilante.

A delegada salientou que a vítima vinha sendo molestada pelo ex-marido havia sete meses. Interessado em reatar a relação amorosa, interrompida após 13 anos de convívio conjugal, Luz passou a perturbar Josiane. Kátia lamentou que muitas mulheres deixem de recorrer à polícia para denunciar agressões ou pressões psicológicas sofridas por parte de ex-namorados ou ex-maridos. Para ela, o silêncio pode ser o passaporte para uma tragédia. Diariamente duas mulheres recorrem à Delegacia da Mulher, em Canoas, para relatar situações de ameaça. No entendimento da delegada, o vigilante não manteve os filhos em cárcere privado, tendo em vista que foram libertados horas depois da invasão da moradia, pela manhã, quando despertaram.

Os criminalistas Valdir Florisbal Jung e Gilberto Linck continuam mobilizados na tentativa de assegurar a liberdade provisória para o vigilante. Com base em laudos psicológicos e boletins médicos, desejam provar à Justiça que ele não oferece risco à sociedade. Jung assinalou que Luz estava em tratamento psiquiátrico desde o ano passado. O acusado permanece recolhido no Instituto Psiquiátrico Forense, em Porto Alegre, onde passa por avaliação psicológica. Os defensores de Luz alegam que ele está arrependido de ter mantido a ex-mulher em cárcere privado por quase três dias, além de apresentar quadro depressivo.