Polícia

Delegado nega "relaxamento" em ação que acabou na morte de escrivão

Rodrigo Wilsen da Silveira, 39 anos, foi baleado na cabeça durante operação contra o narcotráfico

Autor dos tiros que provocou a morte do escrivão possui uma extensa ficha criminal
Autor dos tiros que provocou a morte do escrivão possui uma extensa ficha criminal Foto : Alina Souza
A morte do chefe de investigação da 2ª DP de Gravataí, escrivão Rodrigo Wilsen da Silveira, 39 anos, provocou consternação em toda a Polícia Civil. Rodrigo e outros agentes, entre eles, a esposa, Raquel Biscaglia, participavam de uma operação contra o narcotráfico em um condomínio popular, no bairro Passo das Pedras. Ao entrarem no local, os policiais civis foram surpreendidos pelos bandidos, que efetuaram vários tiros. Os disparos atravessaram uma parede de gesso acartonado, sendo que um dos tiros atingiu o chefe de investigação. Houve então um confronto até que os bandidos, incluindo a líder do narcotráfico na vila Planaltina, se rendessem.

O titular da 2ª DP de Gravataí, delegado Rafael Sobreiro, assegurou que todas as normas de segurança e técnicas foram realizadas. “Não houve nenhum relaxamento”, garantiu. “Não era o local de tráfico”, enfatizou, apontando que o imóvel era apenas a moradia da líder do narcotráfico, que estava com uma criança. “Os outros pararam de atirar quando ela se rendeu”, assinalou.

O autor dos tiros que provocou a morte do escrivão, segundo o delegado Rafael Sobreiro, possui uma extensa ficha criminal, sendo considerado um “matador de aluguel” da região, atuando para vários grupos de narcotráfico. O criminoso já tinha um pedido de prisão preventiva encaminhado à Justiça, mas que ainda não havia sido deferido.

O delegado relatou que o autor da morte do agente respondia por vários crimes, como roubo e homicídio. O criminoso havia sido preso no dia 5 de novembro de 2014, sendo recolhido ao Presídio Central de Porto Alegre, mas recebeu o benefício da tornozeleira eletrônica em 10 de junho de 2016. Em fevereiro de 2017, o bandido deixou de usar o equipamento, permanecendo livre apesar de ter uma condenação em primeira instância. 

Além dele, mais quatro traficantes foram presos. Houve apreensão também de um revólver calibre 38, munição e drogas, além de dois veículos, sendo um roubado. A operação mobilizou cerca de 30 agentes com apoio de oito guardas municipais.

O Chefe de Polícia Civil, delegado Emerson Wendt, concedeu entrevista coletiva na DPPA de Gravataí. Abalado, ele chegou a chorar diante da imprensa. “Lamentável..... Triste.....Infelizmente.....Pelo que a gente tem de informações dos delegados que trabalhavam com ele...era extremamente competente, tanto é que, em menos de cinco anos, era chefe de investigação. Seria um exemplo aos demais colegas”, declarou emocionado. “Infelizmente faz parte de nosso roteiro. Quando a gente assume é como se a gente assinasse um contrato com cláusula de vida”, desabafou em seguida, acrescentando que a Polícia Civil “vai fazer seu luto” mas não vai parar pois “vai continuar trabalhando”.

O diretor do Departamento de Polícia Metropolitana da Polícia Civil, delegado Fábio Lopes, também manifestou tristeza e pesar. “É um dia triste e de luto para a Polícia Civil. Perdemos um excelente colega que sempre se destacou. Um profissional dedicado. Só ouvem-se elogios a respeito do trabalho dele. Um policial novo da turma de 2012 que acabou tendo teve sua vida ceifada tragicamente, interrompendo uma brilhante carreira policial”, afirmou. “Infelizmente dentro dessa tragédia, a esposa dele estava no local e acabou presenciando a morte do marido”, complementou, recordando que o policial morto deixa dois filhos de um casamento anterior. A esposa, escrivã que participou da operação, ficou em estado de choque e está sendo atendida por psicóloga da instituição.