Polícia

Delegado ouvirá familiares de menina que morreu em hospital da Serra

Ana Carolina dos Reis Lunardi faleceu após receber injeção de Plasil, no sábado

A Polícia Civil ouvirá formalmente, na tarde desta segunda-feira, os familiares de Ana Carolina dos Reis Lunardi, 4 anos, que morreu após ser medicada em um hospital de São Francisco de Paula, na Serra gaúcha. O delegado responsável pelo caso, Airton Figueiredo Martins Júnior, informou que aguarda o resultado da perícia para apurar um eventual erro médico. O Instituto Geral de Perícias (IGP) de Taquara fez a necropsia do corpo e deve concluir qual foi a causa da morte em 15 dias. “Por enquanto, estamos averiguando as circunstâncias da morte, seria muito precipitado afirmar qualquer coisa antes do resultado da perícia, que nos dará um norte para a investigação”, disse.

De acordo com Martins, o inquérito foi instaurado sem tipificação e, conforme o resultado do IGP, as pessoas envolvidas no evento podem testemunhar novamente. “Todos os médicos que prestaram atendimento serão ouvidos, assim como a direção da instituição.”

Ana Carolina dos Reis Lunardi morreu na noite de sábado, após receber uma dose de Plasil (medicamento indicado para combater vômitos e náusea) na veia. De acordo com a família dela, a menina começou a vomitar e apresentou diarreia na sexta-feira. No sábado, ao meio-dia, a criança foi levada ao hospital, recebeu soro por quase duas horas e foi liberada. Como a diarreia não passava e ela não conseguia se alimentar, os pais decidiram ligar para o prefeito de São Francisco de Paula, Décio Colla, que é médico e amigo da família. Ele sugeriu levar Ana mais uma vez ao hospital, para uma dose extra de soro.

Ela deu entrada no São Francisco, pela segunda vez, por volta das 18h30min de sábado. O pai de Ana Carolina contou que o médico plantonista prescreveu Plasil. Assim que foram injetados 5 mg da droga na veia da menina, ela começou a passar mal e a cor da pele mudou.

Por três horas, a equipe médica tentou reanimar a criança, que não resistiu. O pai da menina, Olécio Lunardi, disse que o hospital não dispunha de cilindro de oxigênio, instrumento utilizado em caso de parada respiratória.

Para o prefeito Décio Colla, é provável que a menina tenha sofrido um choque anafilático (forte reação alérgica ao medicamento). Nesse caso, não há como prever uma reação. O médico que atendeu Ana Carolina era clínico geral. De acordo com a família, não havia pediatra quando a criança deu entrada no hospital.

Ana Carolina era a caçula da família. O casal, Olécio e Janaína, tem outros dois filhos, uma adolescente de 16 anos e um menino de 12 anos. Para o pai, houve erro médico. Ana Carolina foi enterrada na tarde deste domingo, às 16h30min, no Cemitério de Tainhas, localidade onde a família reside.