Polícia

Delegado solicita à Justiça arma que matou motociclista em Caxias

Objeto, que deveria ser periciado, foi recolhido ao quartel da Brigada Militar

O titular da 2ª Delegacia de Polícia de Caxias do Sul, Tarcísio Kaltbach, encaminhou um ofício ao Foro local solicitando a arma usada por um policial militar que acabou matando um motociclista neste domingo, no município. “O correto é que a arma utilizada em qualquer crime seja apreendida no local ou entregue na delegacia. Como isso não foi feito, estamos recorrendo ao Poder Judiciário, porque é uma prova material e nós precisamos para saber se aquela arma foi usada no cometimento do crime”, disse em entrevista ao programa Balanço Geral, da Rádio Guaíba. O objeto, que deveria ser periciado, foi recolhido ao quartel da Brigada Militar.

Kaltbach disse ainda que vai inquerir as testemunhas que foram ouvidas pelo plantão para obter mais detalhes sobre o caso. No domingo, Sidnei Marcelo Gross, 25 anos, morreu depois de ser atingido por um disparo desferido pelo policial militar durante uma abordagem. A vítima conduzia uma moto e não teria parado na blitz. Baleado nas costas, ele chegou a ser socorrido pelo Samu, mas morreu durante o atendimento. O caroneiro da moto, Paulo Alexandre Gonçalves, 19, quebrou a clavícula na queda.

De acordo com o delegado, o PM disse em depoimento que a moto teria seguido para cima dele. Ele teria recuado e acabou batendo a mão que portava a arma no caroneiro da moto quando ocorreu o disparo. “Não devemos fazer pré-julgamento, devemos aferir todas as testemunhas, mas é um pouco estranho, em um primeiro momento, dizer que um policial ao recuar, vá disparar um tiro”, avaliou o delegado, acrescentando que é não é o procedimento usual ficar com o dedo no gatilho em uma abordagem.

O Comando da Brigada Militar de Caxias do Sul afastou, nesta segunda-feira, o soldado para tratamento psicológico. Ele cumprirá, a partir desta semana, atividades administrativas. O policial militar, conforme o comando, trabalha nas ruas desde o ano passado.