Os delegados da Polícia Civil decidem, nesta quarta-feira, as medidas que serão adotadas pela categoria diante do novo parcelamento dos vencimentos determinado pelo Governo do Rio Grande do Sul. Entre elas, está a adesão à paralisação da segurança pública nesta quinta-feira, a suspensão de operações policiais, a impossibilidade de iniciar o curso para novos servidores na Academia de Polícia e a retirada imediata de presos das dependências das delegacias.
Em nota oficial, a Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do Sul (Asdep) aponta um “absoluto desprezo demonstrado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul” e que tem “demonstrado desrespeito com os servidores, tendo em vista o parcelamento aviltante dos seus salários”.
Para a entidade de classe, é “nítido que está se fazendo escolhas ao saldar contratos e outras obrigações que geram juros e repassando, integral e antecipadamente, os recursos financeiros para os demais poderes e órgãos autônomos, em detrimento do pagamento dos funcionários do Executivo”. O documento é assinado pela presidente da Asdep, delegada Nadine Tagliari Farias Anflor.
Brigada Militar se manifesta
A Associação dos Oficiais da Brigada Militar (Asofbm) também se posicionou sobre a atual situação da segurança pública. Em nota, a entidade lembrou que o Governo “aumentou impostos, congelou salários, alterou regras previdenciárias, reduziu orçamentos, tudo com a pretensão de enfrentar a crise sem precedentes pela qual passa o Estado”. Na avaliação da Asofbm, o que existe é uma “crise de insegurança pública, de saúde, de educação, e gestão de governo”, acrescentando que “o deboche, o descaso com o qual o Governo do Rio Grande do Sul trata os servidores da Segurança Pública ajuda a empurrar ainda mais nosso Estado para a borda do precipício.
A Asofbm orientou que sejam comandadas apenas ações rotineiras de polícia ostensiva e de preservação da ordem pública, suspendendo operações diversas e de inteligência. Além de ser empregado o efetivo nas ações de policiamento ostensivo ou de bombeiro militar, apenas quando disponível e adequado o equipamento de proteção individual, revisado ou dentro do prazo de validade por razões de segurança.
Outras medidas proposta pela entidade são: escala dos militares estaduais observando o parâmetro constitucional da jornada de trabalho, sem impor cumprimento de sobre jornada, exceto se houver horas-extras disponíveis, concedendo folga aos militares que cumpriram a carga horária limite, e que qualquer deslocamento para fora de suas sedes sejam realizados exclusivamente com o pagamento antecipado das diárias de viagem. A nota foi assinada pelo presidente da entidade, coronel da reserva remunerada Marcelo Gomes Frota, e pode ser lida na íntegra no site da Associação.
Delegados da Polícia Civil decidem quarta se paralisam atividades
Servidores avaliam medidas diante de novo parcelamento de salários