Polícia

Delegados gaúchos decidem paralisar parte das operações

Categoria sinalizou com pedidos de demissão em diretorias da Polícia Civil

Delegados gaúchos decidem paralisar parte das operações
Delegados gaúchos decidem paralisar parte das operações Foto : Paulo Nunes
Após recusarem uma proposta de reajuste salarial de 10%, os delegados gaúchos decidiram em asssembléia, na tarde deste sábado, adotar uma série de medidas de boicote e demissões, até que a principal reivindicação da categoria seja atendida: a equiparação salarial com procuradores, determinada pela legislação estadual. Em uma nota pública, a Associação dos Delegados de Polícia do Estado (Asdep) informou que, enquanto não houver um novo acordo, a ideia da categoria é não participar das operações Verão, Serra e Fronteira, além de colocar à disposição cargos em confiança como os de diretor de departamento ou de divisão.
 
A lista de funções, nas quais pedidos de demissão podem ocorrer devido ao impasse, ainda abrange delegados regionais e cargos na Secretaria Estadual de Segurança Pública. A nota da Asdep também deixa claro que foram suspensas "as operações que vêm sendo feitas para gerar a chamada 'agenda positiva' para o Governo". Outra retaliação definida é a promessa de que a carga horária de 40 horas semanais não vai ser excedida. Convites para ministrar aulas na Academia de Polícia também não serão aceitos.

Proposta do governo

Na sexta-feira, o secretário de Segurança Pública, Airton Michels, anunciou a proposta de reajuste, em duas parcelas: a primeira delas de 5%, em janeiro, e os 5% restantes em abril, garantindo pelo menos R$ 700 a mais para os delegados em início de carreira. A proposta surgiu depois de uma reunião entre a Casa Civil e Asdep, na quinta.

Conforme o Palácio Piratini, o realinhamento com o salário de procuradores do Estado, de R$ 15 mil, só deve ser negociado em 2012. “Formulamos esta proposta de aumento de 10%, mas as negociações continuam abertas em busca da equiparação”, declarou Michels. O secretário ainda disse que a categoria havia entendido as dificuldades para um reajuste maior. “Estamos em início de governo, apenas dez meses, e tudo depende do estado das finanças”, assegurou.

Na assembleia de hoje, a Asdep admitiu a possibilidade de a equiparação não ocorrer imediatamente, mas a longo prazo, com o reconhecimento formal do direito através de um projeto de lei. A Associação ainda classificou como estranho "que a mesma dificuldade do tesouro não se tenha verificado quando, recentemente, o Governo corrigiu a remuneração dos Procuradores do Estado, aumentando ainda mais o fosso remuneratório entre as duas carreiras".


Bookmark and Share