Somente na última semana foram solucionados dois casos em Porto Alegre. A prisão de um homem de 30 anos, que atuava na zona Norte, e a identificação de outro, 36, que agia na região Leste e acabou morto, foram possíveis com o auxílio das vítimas. Segundo a polícia, os dois criminosos teriam cometido pelo menos sete estupros nas últimas semanas.
A delegada Marina Ver Goltz explica que, nas duas situações, os depoimentos das vítimas foram definitivos para estabelecer as linhas de investigação. "Sabemos como é difícil para uma mulher que sofre estupro falar sobre o que aconteceu. Mas a descrição dos autores, a observação do trajeto percorrido, uma tatuagem, qualquer detalhe é importante", conta Marina.
Segundo a delegada, até mesmo as unhas sujas e o cheiro das mãos podem denunciar a atividade do agressor e acabam constituindo provas sobre a autoria dos crimes e apontando o paradeiro do estuprador. Além disso, compleição física, formato dos olhos, boca e nariz, tipo de relógio, correntes, pulseiras e também a presença de aliança podem ser interessantes à investigação. "Depois do depoimento, que tentamos fazer com seja o mínimo doloroso para as vítimas, o próximo passo é a tentativa de reconhecimento por fotografia", observa.
Marina apresenta o álbum de estupradores, que contém centenas de fotos de homens, já indiciados ou condenados pela prática de estupros. "Se não der identificação, a gente produz um retrato falado, que é distribuído pelo gabinete de inteligência e possibilita que a imagem seja vista em todas as delegacias e unidades da Polícia", explica.
Nas recentes investigações, fotografia e retrato falado foram elementos-chave para a identificação dos criminosos. Em um dos casos, a circulação do retrato falado em redes sociais contribuiu para localização do autor.
Provas devem ser preservadas
Mesmo diante do repúdio sobre a violência sofrida, a orientação da Delegacia da Mulher é de que as vítimas procurem a Polícia imediatamente após o crime. "O impulso da mulher violentada é de se banhar para tirar a sujeira do ato sexual não consentido. Isso dificulta a coleta de material para análise e complica a produção de provas", conta a delegada Marina Ver Goltz.
Com a preservação das provas, explica a delegadal, o Departamento Médico Legal consegue analisar e mapear o material genético do agressor. "Depois das coletas, a vítima recebe uma calcinha descartável. Deixa a sua como prova. Em outros estados brasileiros já existe o kit completo de roupas, pois as vítimas deixam as delas como evidências do crime", conta. Marina revela que os estupradores, em geral, agem sozinhos. Escolhem o amanhecer ou o cair da noite para atacar, pois há menos movimento na rua. Abordam suas vítimas em via pública, parada de ônibus, na saída de comércios ou costumam agir quando a mulher está distraída, como, por exemplo, ouvindo música ou falando ao celular.
Dicas de segurança:
– Evitar locais desertos e escuros;
– Não atender celulares ou ouvir música ao caminhar sozinha;
– Ao perceber que está sendo seguida, mudar de caminho ou entrar em qualquer estabelecimento e pedir socorro;
– Ao se sentir ameaçada, acionar a Brigada Militar pelo telefone 190.