Polícia

Denarc apreende armas com grande poder de fogo na Capital

Fuzil é usado para treinamento de atiradores de elite em vários países

Denarc apreende armas com grande poder de fogo na Capital
Denarc apreende armas com grande poder de fogo na Capital Foto : Ellen Dick / Denarc Divulgação / CP
A apreensão de armas feita por agentes do Departamento Estadual de Investigação do Narcotráfico (Denarc) na tarde deste sábado pode ser o indício de que a gangue Bala na Cara tem uma ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Foram encontrados um fuzil 762, com mira laser, uma metralhadora 9 milímetros, revólveres - alguns enferrujados -, carregadores, munição de 762 e 5,1 quilos de maconha, além de porções de cocaína e crack. O armamento e as drogas foram localizados enterrados e encobertos por vegetação em um morro na Vila Graciliano Ramos, no bairro Glória, zona Sul de Porto Alegre

O armamento apreendido preocupa os policiais. O fuzil, que tem as marcas do nome do dono na coronha, tem poder de fogo suficiente para perfurar os coletes à prova de balas usado pelos agentes, assim como a metralhadora. Do alto de um morro, qualquer policial que se aproximasse seria um alvo fácil para os criminosos. “As balas de 762, que entram pela fronteira, podem atingir mais de um policial, principalmente se estivermos em fila”, comentou um policial que participou da ação. “Balas desse calibre penetra o colete como se ele fosse manteiga”, comparou. O fuzil é usado para treinamento de atiradores de elite em vários países.

Migração

Policiais experientes, ouvidos pelo Correio do Povo, consideram preocupante encontrar um fuzil como esse. E também a logística usada pelos criminosos, que enterraram as armas no alto de morros, podendo dali preparar uma armadilha para a Polícia. “Eles (integrantes do PCC) estão migrando para cá e trazendo armamento pesado”, comentou um delegado. “Temos que ficar atentos”.

O colete, que continha a sigla da facção criminosa paulista feita com fita adesiva, foi roubado da agentes da Polícia Civil. Mesmo com uma certa semelhança com o grupo paulista, a Polícia Civil prefere não confirma uma provável ligação entre a gangue porto-alegrense e a facção de São Paulo. Os Bala na Cara estão tentando expandir o seu território e conquistar a hegemonia no tráfico de drogas.

A ação, conforme o delegado do Denarc Rodrigo Zucco, é uma continuação da Operação Bonja, desencadeada em 21 de janeiro deste ano, visando o combate ao tráfico de drogas e as atividades dos Bala na Cara. Até o momento, já foram presas 10 pessoas. Neste período, já foram apreendidos um outro fuzil, do exército boliviano, e uma granada de morteiro, ambos pertencente aos Bala na Cara.