A influenciadora e advogada Deolane Bezerra está sendo transferida nesta sexta-feira, 22, para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do Estado de São Paulo. A defesa dela não foi localizada. Ela foi presa na quinta-feira, 21, durante uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Após a Justiça manter a prisão preventiva em audiência de custódia, a influenciadora foi para a Penitenciária Feminina de Santana, zona norte da capital paulista, considerada a maior penitenciária feminina do Estado de São Paulo e operando acima da capacidade, segundo dados oficiais. A unidade prisional tem capacidade para cerca de 2,6 mil detentas, mas atualmente abriga número superior ao permitido, em torno de 2,8 mil mulheres, de acordo com informações da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
Relembre a prisão
Deolane foi presa, na quinta-feira, durante a Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Segundo os investigadores, a influenciadora teria participação na movimentação de recursos atribuídos à facção e é apontada no inquérito como integrante da estrutura financeira do grupo.
As apurações indicam que empresas de fachada e contas bancárias ligadas à influenciadora teriam sido usadas para ocultar e movimentar dinheiro do crime organizado. O Ministério Público afirma que o esquema envolvia uma transportadora suspeita de atuar no fluxo financeiro da facção. A defesa ainda não foi localizada para se manifestar.
A influenciadora já havia sido alvo de outra investigação policial em 2024, quando foi presa em uma operação da Polícia Civil de Pernambuco que investigava suspeitas de lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais ligados a plataformas de apostas. Na ocasião, ela chegou a cumprir prisão domiciliar, mas retornou ao regime fechado após descumprir medidas impostas pela Justiça.
Vida de luxo e ostentação
A análise da ostentação de bens e viagens de luxo de Deolane Bezerra dos Santos e de seu filho adotivo nas redes sociais da família virou prova importante da lavagem de dinheiro do crime organizado. É o que mostra o relatório da Polícia Civil no âmbito da Operação Vérnix. Só nessa quinta-feira, os policiais apreenderam quatro veículos na mansão da influenciadora. Os modelos pertencem ao segmento premium e de alto luxo, e a frota total de carros que ela possui está avaliada em mais de R$ 5 milhões.
A lista incluiu um Jeep Commander e uma Range Rover Sport. Só que um Cadillac Escalade também habitava a garagem da advogada. Símbolo de ostentação, o SUV de grande porte não é vendido oficialmente no Brasil e sua aquisição exige importação independente. Como não há um preço oficial de tabela no País, o Escalade importado costuma ser comercializado por cerca de R$ 2 milhões em revendedoras especializadas.
O Mercedes-AMG G 63 é o veículo mais emblemático da lista. O modelo da marca alemã é oferecido oficialmente no Brasil, mas por uma bagatela que supera os R$ 2 milhões. Deolane passou por audiência de custódia na tarde de ontem, e o decreto de prisão foi confirmado. "Creio que tão cedo ela não vai sair da prisão!", considera o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido como o “caçador do PCC”. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio bancário de R$ 27 milhões da acusada.
Um capítulo inteiro escrito pelos delegados Edmar Rogério Dias Caparroz e Ramos Euclides Guarnieri Pedrão, da Delegacia Seccional de Presidente Venceslau, foi dedicado ao conteúdo extraído das redes sociais de Deolane, que também é advogada e já defendeu uma liderança do PCC.
Segundo a polícia, o conjunto de imagens e informações lançadas nas redes da influenciadora, que tem 20 milhões de seguidores, "revela um padrão reiterado de ostentação de bens de alto valor econômico, incompatível, em tese, com a capacidade financeira formalmente declarada, o que se mostra relevante sob a ótica da persecução penal voltada aos crimes de lavagem de capitais e ocultação de patrimônio”.