Polícia

Depois de 40 horas retido em camburão da BM, preso é levado para carceragem da Polícia Civil

Falta de vagas em cadeias e delegacias motivou o impasse

Presos estão ficando em viaturas policiais devido a superlotação em delegacias e penitenciárias no RS
Presos estão ficando em viaturas policiais devido a superlotação em delegacias e penitenciárias no RS Foto : Samuel Maciel
Depois de cerca de 40 horas, um preso que seguia sob custódia, desde a noite dessa quarta-feira, dentro de uma viatura da Brigada Militar, foi encaminhado à carceragem da 3ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), na tarde desta sexta-feira, em Porto Alegre. Em razão da falta de vagas em presídios, ele ficou detido em um camburão e alegou ter ficado sem comer. O suspeito foi preso por porte de arma na região da Vila Maria da Conceição, na zona Leste. 

• Sistema prisional do RS chegou ao fundo do poço, admite Cezar Schirmer

Nesta tarde, dentro da cela da 3ª DPPA havia dez presos abrigados. Outros dois, contudo, seguiam dentro de viaturas em frente à unidade policial. Pela manhã, o total de presos em camburões chegou a cinco.

Entidade adverte que, depois de 24h, presos podem ser colocados em liberdade

O presidente da Associação Beneficente Antonio Mendes Filho (Abamf), que representa cabos e soldados da Brigada Militar, criticou a manutenção do impasse e reforçou o pedido de mais vagas no sistema prisional e o chamamento de concursados para a Susepe. Leonel Lucas estima que o tempo médio para homologação de uma prisão seja hoje de oito horas, o que já é considerado excessivo. Ele teme, ainda, caso a situação persista, o risco de relaxamento do flagrante – que expira em 24 horas.

• Superlotação em presídios e delegacias transforma viaturas policiais em celas improvisadas

Susepe garante estar trabalhando para resolver impasse

O chefe do Departamento de Segurança e Execução da Superintendência de Serviços Penitenciários, Ângelo Carneiro, disse hoje que, para alocar os detentos, o órgão estuda alternativas até mesmo com outros departamentos da Secretaria de Segurança Pública. “Isso depende de uma construção conjunta, a nível de Secretaria. Nós estamos dialogando com as partes. Enquanto não houver vaga, não podemos nos responsabilizar pelo detento”, disse.

Atualmente, o sistema prisional gaúcho registra um déficit superior a 10 mil vagas. Em muitos casos, presos são encaminhados provisoriamente para celas de delegacias de Polícia. No entanto, alguns delegados, por não considerarem os locais adequados, estão limitando a entrada.