O mistério surgiu ainda na terça-feira, quando a família registrou na 1ª DP de Novo Hamburgo o desaparecimento de Flávia, moradora da Rua Osório, bairro Primavera. A investigação mobilizou não apenas as DPs hamburguenses, mas também delegacias de São Leopoldo. Pouco tempo depois, a família recebeu um telefonema com pedido de resgate, o que acabou levando para o município equipes especializadas em combater sequestro da Delegacia de Roubos e Extorsões. A partir de então, os policiais orientaram a família a negociar o pagamento do resgate enquanto se seguiam as investigações. O delegado Juliano Ferreira, da Delegacia de Roubos, afirmou que, diante da negativa do suposto sequestrador em apresentar uma prova de vida da vítima, os agentes entenderam que ela pudesse estar morta. "Mudou então o rumo das investigações", disse o delegado regional do Vale do Sinos, Bolivar Llantada.
A partir do encontro de uma testemunha, que portava um aparelho auditivo pertencente à aposentada, foi possível a prisão do suspeito. O homem de 25 anos confessou o envolvimento na morte e indicou onde estava o corpo da vítima: escondido dentro de um compartimento na garagem da casa dela.
O suspeito disse aos policiais que pretendia obter algum dinheiro de Flávia, de quem era conhecido por ter sido pintor da casa. Na terça-feira, ele foi à residência e chegou a ser atendido pela aposentada, que pediu a ele para arrumar uma telha da moradia. O homem aproveitou o momento para exigir dela dinheiro, principalmente referente a uma herança. Segundo o depoimento do suspeito, a mulher teria sofrido um mal súbito e morreu diante dele. Alegou ainda ter se assustado com a situação e escondido o corpo no compartimento, antes de levar alguns objetos da casa.
O corpo foi retirado minutos depois da prisão do suspeito e encaminhado ao DML para exame de necropsia, que deve indicar se a causa da morte teve violência ou não. Peritos passaram a noite de sexta-feira e as primeiras horas de sábado fazendo levantamento do local do crime. Mesmo negando que tenha matado a aposentada, o homem foi autuado em flagrante pelos crimes de extorsão, já que havia pedido o resgate, e por ocultação de cadáver.
Em vez de sequestro, o caso está sendo tratado pela Polícia Civil como latrocínio. "As investigações seguem para saber que há mais alguém envolvido no caso", relatou Nauro Marques, titular da 1ª DP de Novo Hamburgo. O suspeito estava em liberdade condicional e já tinha passagens pela polícia pelos crimes de roubo, furto e sequestro-relâmpago.