Conforme dados do Ministério da Justiça, em quatro anos, de 2004 a 2007, o Brasil registrou taxa de 100 mil homicídios, maior do que nas principais regiões de conflitos armados no mundo, como Iraque e Somália. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Criminalística, a taxa de elucidação de homicídios no País varia de 5% a 8%.
O baixo índice aumenta a sensação de impunidade, se comparado aos percentuais registrados nos Estados Unidos, que aponta 65%; no Reino Unido, de 90%; e na França, com 80%. Durante o encontro, o funcionário aposentado do FBI (Polícia Federal norte-americana) contou como conduziu as investigações no atentado terrorista de 11 de setembro de 2001.
Segundo ele, a partir desta época, a coleta de DNA começou a fazer parte da investigação da cena do crime. “Já ajudei a desvendar mais de mil homicídios. Ou seja, tive a oportunidade de errar mil vezes”, comentou Blozis, ao relatar como o trabalho da perícia, além do isolamento adequado do local de um crime, auxiliam os investigadores.
Com conhecimento de quem trabalhou como consultor forense do programa CSI: Crime Scene Investigation, uma das séries de maior audiência nos Estados Unidos, Blozis destacou as semelhanças entre técnicas aplicadas no Brasil com as norte-americanas. Ele afirmou que almeja que a análise de DNA se torne uma ferramenta mais usual para solucionar os crime também no Brasil.
“O DNA deve ser indispensável nas análises de cenas de crime. Nos Estados Unidos, a técnica tem cerca de 15 anos e pode culpar ou inocentar suspeitos”, relatou, acrescentando que já investigou mais de 2,5 mil casos criminais. Conforme discutido nos seminários, a falta de esclarecimento na resolução de crimes afeta o cenário criminal no País e compromete a definição das políticas públicas na área de segurança.