Polícia

Dilma determina que PF apure assassinato de ambientalistas no Pará

João Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo denunciavam extração ilegal de madeira

A presidente Dilma Rousseff determinou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que acione de imediato a Polícia Federal (PF) para investigar a morte do casal de extrativistas e ambientalistas paraenses João Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo. Eles foram mortos na manhã de hoje em uma estrada vicinal que leva ao projeto de assentamento extrativista Praia Alta Pirandeira, localizado em Nova Ipixuna, Pará.

Em nota oficial, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse que informou à presidente Dilma que recebeu a denúncia do assassinato de dois líderes do Conselho Nacional dos Seringueiros. Ele contou que, há tempos, os dois vinham denunciando o desmatamento e a extração ilegal de madeira na região.

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que se reuniu com a presidente Dilma, no Planalto, para discutir Código Florestal, comentou que a flexibilização das regras ambientais vão deixar desamparados líderes ambientais como esses que têm a lei como instrumento de luta. Marina lembrou ainda que esses líderes trabalhavam contra o desmatamento no Pará e sucederam a irmã Dorothy Stang no combate aos crimes ambientais na região.

O diretor da Regional Belém do CNS, Atanagildo Matos, afirmou que o casal já havia sido ameaçado diversas vezes. Ambos eram bastante ativos dentro do projeto desde sua criação, em 1997, e já tinham presidido a associação de moradores da comunidade. Segundo Matos, eles fizeram inúmeras denúncias na Polícia Federal, no Ministério Público e em órgãos como o Ibama e o Incra sobre as irregularidades ambientais cometidas na região, como extração ilegal de madeira, e isso motivou diversas inimizades.

Matos afirmou que Maria e José Cláudio morreram após cair em uma emboscada pela manhã. O CNS já formalizou um pedido para que a Polícia Federal investigue o assassinato. "É muito dolorido, era um casal muito querido, muito prestativo. A gente está muito desfalcado, a situação está muito complicada", disse o diretor regional, ainda abalado pela notícia.

Segundo nota divulgada pelo CNS na tarde de hoje, as ameaças contra a vida do casal de extrativistas começaram por volta de 2008. De acordo com familiares, desconhecidos rondavam a casa de Maria e José Cláudio, geralmente à noite, disparando tiros para o alto. Algumas vezes, chegaram a alvejar animais da propriedade do casal.


Bookmark and Share