Arpini acredita que o crime tenha relação com o material reunido por ele desde 2009, apontando suspeitas sobre abonos do ponto para oito chefias médicas, superfaturamento no setor de compras, estrutura física e de pessoal do Centenário.
No dossiê, Arpini também questiona o custo da obra da troca do telhado da instituição: R$ 2,8 milhões para 6,2 mil metros quadrados. Segundo ele, a intervenção custaria cerca de R$ 900 mil. Ao ser atacado pelos criminosos, ele começou a gritar por socorro e acabou atraindo a atenção dos vizinhos, que saírem de suas casas para ver o que ocorria.
Temendo ser identificados e detidos, os três suspeitos fugiram. Um deles ainda esfaqueou o braço do médico, que necessitou de sutura. Na manhã de hoje, restabelecido do susto, Arpini compareceu à 3ª Delegacia de Polícia (DP) de São Leopoldo, onde efetuou o registro de ocorrência.
O delegado Alencar Carraro, que apura as denúncias do médico, decidiu encaminhar cópia da ocorrência à Delegacia de Polícia de Repressão aos Crimes Contra a Fazenda Estadual (Defaz), que recorrerá ao Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RS) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar políticos envolvidos nas denúncias contra instituições públicas de São Leopoldo, incluindo o Hospital Centenário.
Carraro também enviará à Defaz outras duas ocorrências que julga estarem relacionadas à mesma quadrilha que tentou matar Arpini. Uma envolve o filho de um agente da 3ª DP de São Leopoldo, que teria sido perseguido por suspeitos.
De acordo com o delegado, o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico e Social do município, Marco Pinheiro, também estaria sob ameaça, uma vez que um veículo suspeito tem cruzado com frequência pela frente de sua moradia. No final do ano passado, Pinheiro divulgou um dossiê com denúncias envolvendo 16 empresas que tinham contrato com a administração entre 2005 e 2011.