Polícia

Dois PMs são indiciados por participar de protestos com queima de pneus no RS

Investigação identificou seis suspeitos de participação nos atos em Alvorada

A Polícia Civil e Brigada Militar identificaram seis suspeitos, incluindo dois civis e quatro policiais militares, de envolvimento com a queima de pneus, uso de falsas bombas e bonecos fardados, e ameaças feitas ao governador Tarso Genro como forma de pressão pelo aumento do índice de reajuste nos salários da BM. Dois deles, ambos PMs, foram indiciados pela Polícia Civil em um inquérito que chega nesta quinta-feira à Justiça do município.

Os dois policiais, um deles na ativa e o segundo, um sargento da reserva, foram presos por tráfico de drogas e desacato, ainda pela manhã. O policial militar da ativa é lotado no 24º Batalhão de Polícia Militar, em Alvorada. Ele entregou um vídeo à TV Record, com ameaças ao governador.

Os detalhes sobre a investigação foram apresentados na tarde desta quarta, durante uma entrevista coletiva conjunta concedida pelo Comando da Brigada Militar e a Chefia da Polícia Civil, no sede do Comando-Geral da BM.

Em um dos áudios interceptados pela polícia, o sargento da reserva negocia com outra pessoa a realização de um protesto com cartazes e queima de pneus na avenida Getúlio Vargas, em frente à prefeitura de Alvorada. Ex-cozinheiro do Palácio Piratini durante o governo de Olívio Dutra, ele foi preso por desacato ao agredir um policial que fazia buscas na residência em que mora.

Já o soldado da ativa, de 34 anos, dez deles de Brigada Militar, foi preso em casa, flagrado com uma quantidade de crack e cocaína. Segundo a Polícia Civil, ele foi o responsável por colocar uma falsa bomba no viaduto da Borges de Medeiros e há uma possibilidade de ele ter colocado um artefato explosivo na rua Fernando Machado, nas imediações do Palácio Piratini, no Centro de Porto Alegre.

O comandante-geral da BM ressaltou que um processo disciplinar administrativo foi instaurado, podendo resultar na expulsão dos militares envolvidos. Conforme o coronel Sérgio Abreu, a atitude dos suspeitos afrontou os princípios éticos da corporação, expondo a entidade de forma criminosa .

Ao todo, 26 inquéritos militares foram instaurados para apurar os mais de 70 protestos que ocorreram no Estado desde 4 de agosto. O prazo é de 50 dias para que a BM conclua o inquérito policial militar aos cuidados da Corregedoria-Geral e da Inteligência da corporação.

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