Polícia

Donos de clínica de Passo Fundo podem ser indiciados por tortura

Polícia apreendeu material em casa de reabilitação investigada por denúncias de maus tratos

Donos de clínica de Passo Fundo podem ser indiciados por tortura
Donos de clínica de Passo Fundo podem ser indiciados por tortura Foto : Eder Calegari / Especial CP
O titular da Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA) de Passo Fundo, delegado Mário Pezzi, disse, na noite desta terça-feira, que pode indiciar os responsáveis por uma clínica de recuperação de dependentes químicos e doentes com esquizofrenia por crime de tortura. A polícia está investigando a casa de tratamento, localizada no loteamento Dom Rodolfo, na periferia da cidade, devido a denúncias de maus tratos contra internos.

Com mandado de busca e apreensão, os policiais entraram na clínica durante a tarde, onde encontraram 14 adolescentes em situação irregular. Além de não ser inscrita no Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica), a clínica clandestina mantinha os adolescentes junto com doentes mentais. Os internos fizeram denúncias de maus tratos e tortura.

Pezzi afirmou que existem fortíssimos indícios de tortura, inclusive com apreensão do material supostamente usado nas agressões, como meias recheadas com sabonetes, bolas de tecidos e bastões. Os internos relataram que eram agredidos até que os sabonetes se esfarelassem.

Duas adolescentes e uma jovem revelaram que teriam sofrido aborto no interior da clínica, onde foram abrigadas a tomar um medicamento abortivo. Os adolescentes, todos de fora de Passo Fundo, foram levados para casas de acolhimento da prefeitura e devem ser encaminhados para seus municípios de origem nesta quarta.

O material apreendido vai ser encaminhado para perícia, para ver se existem vestígios de sangue. Marcas desse tipo foram encontradas em colchões, paredes e no teto. Quatro pessoas que trabalhavam na clínica foram ouvidas e liberadas.

Além da tortura, Pezzi disse que os responsáveis pela casa devem responder por maus tratos e aborto, entre outros crimes que possam ser apurados durante o inquérito. A situação dos doentes mentais será decidida em reunião da 1ª Promotoria Civil e o secretário da Saúde do município, Alberi Grando, nesta quarta. O promotor de Justiça Edgar Garcia entende que, se não houver condições técnicas pra continuar funcionando, a clinica deve ser fechada.

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