A Polícia Civil vedou por tempo indeterminado, nesta segunda-feira, o ingresso de presos em carceragens de duas delegacias de Porto Alegre, em função de agressões registradas entre os apenados, retidos em celas em função da falta de vagas no sistema prisional. Conforme o delegado Marco Antônio de Souza, os atritos ocorreram tanto na carceragem da 2ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), localizada no Palácio da Polícia, quanto na 3ª DPPA, situada na zona Norte de Porto Alegre. Na carceragem do Palácio da Polícia, o policial recebeu a informação de que um grupo pretendia, inclusive, executar um colega de cela em protesto pela superlotação.
“Um dos presos que a gente estava encaminhado para a Susepe nos trouxe a informação de que ouviu que alguns presos, de uma mesma organização, tinham intenção de executar um preso em forma de protesto para demonstrar que não aguentam mais a situação. Eles iam acabar enforcando ou matando um outro preso”, revelou.
Na 3ª DPPA, há oito detentos aguardando vagas, contra 19 na 2ª DPPA. Após as agressões, as celas foram vistoriadas, mas só foram encontrados materiais de higiene. O delegado lamentou ainda ter de recolher escovas de dentes dos presos para evitar que alguém fique ferido.
Marco Antônio de Souza voltou a criticar o atual cenário do sistema prisional. “A gente pode dizer que as estruturas policiais se encontram esgotadas. A gente está tomando essa medida porque não temos alternativa nenhuma. Chegamos ao limite da capacidade dos órgãos policiais”, alertou. No início da noite, a Susepe confirmou que o número de presos retidos em delegacias era de 88, pela manhã, e caiu para 52, à tarde.
Presos custodiados em viaturas da BM
Devido à interdição das carceragens, presos voltaram a ficar retidos em viaturas da Brigada Militar em Porto Alegre. Nesta segunda à tarde, havia pelo menos três aguardando vagas no sistema prisional dentro de camburões da Brigada Militar. O problema é recorrente e vem sendo registrado desde a semana passada. O problema também levou a Defensoria Pública do Estado a ingressar na Justiça com pedidos de liberdade ou progressão de penas para os presos retidos em viaturas e delegacias de Polícia.
Na semana passada, viaturas da Brigada Militar e da Guarda Municipal também ficaram paradas devido à necessidade de custódia de presos em Novo Hamburgo e São Leopoldo, por falta de vagas em presídios da região.
Recentemente, o secretário estadual de Segurança Pública, Cezar Schirmer, anunciou a criação de dois centros de triagem, em Porto Alegre e Charqueadas, com o objetivo de absorver os presos e impedir que permaneçam em delegacias ou camburões. Não há prazo, porém, para que as obras sejam entregues.
Duas carceragens em delegacias são interditadas após agressões e ameaças em Porto Alegre
Presos teriam planejado executar um colega de cela para protestar contra lotação