Polícia

"Ele foi manipulado", diz advogado de réu por matar casal e queimar corpos em churrasqueira em Cachoeirinha

Acusado está internado no Instituto Psiquiátrico Forense (IPF) desde o crime, ocorrido em fevereiro de 2022

Julgamento do denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) pela morte do casal de idosos Rubem Affonso Heger e Marlene dos Passos Stafford Heger, em Cachoeirinha | André Von Berg, advogado de defesa
Julgamento do denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) pela morte do casal de idosos Rubem Affonso Heger e Marlene dos Passos Stafford Heger, em Cachoeirinha | André Von Berg, advogado de defesa Foto : Camila Cunha

Teve início, nesta quarta-feira, o júri do réu por envolvimento nas mortes de Rubem Affonso Heger, seu avô, e Marlene dos Passos Stafford Heger, companheira de Rubem, respectivamente 85 e 53 anos, em Cachoeirinha, na Região Metropolitana. O julgamento acontece no Foro da Comarca local, com previsão de se estender até o turno da noite, presidido pelo juiz Márcio Luciano Rossi Barbieri Homem. Não foi permitido registrar imagens da sessão.

Oito testemunhas foram ouvidas na parte da manhã. O réu será ouvido no início da tarde, seguido da fase de debates. A mãe do acusado, que também figurava como ré no processo, faleceu em março deste ano.

O crime ocorreu em 27 de fevereiro de 2022. A acusação do Ministério Público, representado pelo promotor Caio Isola de Aro, é que mãe e filho mataram as vítimas em casa. Depois, teriam obstruído a entrada da garagem com colchões e colocado os corpos dentro de um veículo Ford Fiesta, ocultando-os posteriormente. O cachorro das vítimas também foi morto.

Os cadáveres nunca foram encontrados. No ano passado, em acordo de colaboração premiada, o réu teria dito que os corpos foram queimados em uma churrasqueira, com carvão e lenha.

O réu, atualmente internado no Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), responde por duplo homicídio qualificado por motivo torpe e mediante dissimulação ou traição. Ele ainda é acusado de ocultação dos cadáveres das vítimas.

“A orientação é que ele conte tudo o que sabe. Ele confessa a ocultação de cadáver, mas não há elementos nos autos que indiquem que teria motivo ou tido qualquer participação nos homicídios. Isso também é válido para a morte da cachorrinha. Ele ama os animais”, afirmou o advogado André Von Berg, que representa a defesa do réu.

Ainda segundo o advogado, o cliente foi manipulado. “Se a mãe dele estivesse viva, poderia validar o depoimento dele. Ele foi manipulado. Espero que algum dia consiga retomar a própria vida”, disse.

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