Em entrevista coletiva nesta segunda, a promotora Lúcia Helena Callegari explicou os motivos pelos quais o Mistério Público discorda da conclusão da Polícia Civil sobre a morte do ex-secretário da Saúde Eliseu Santos. Para o órgão, houve execução e não latrocínio. O MP denunciou, na semana passado, oito pessoas pelo assassinato. Callegari afirma que Eliseu teria relatado à viúva que era seguido uma semana antes do crime. Além disso, de acordo com a mulher de Santos, não teria havido anúncio de assalto no momento anterior aos disparos.
Segundo a promotora, não faz sentido os bandidos terem esperado a vítima colocar a mulher e a filha dentro do carro para assaltar. “Eles tiveram a oportunidade antes”. Ela disse ainda que um dos executores relatou, informalmente – pois todos os suspeitos se reservaram ao direito de ficarem calados – que os criminosos viram o veículo e esperaram a vítima sair do culto. “Mas como se sabe?”. Segundo ela, essa atitude não condiz com a de assaltantes.
Lúcia afirmou que motivação do crime foi vingança pelo fato de o secretário Eliseu Santos, segundo ela, combater a corrupção dentro do Executivo e isso ter resultado em um prejuízo financeiro à empresa de segurança Reação. Outra fato que leva o MP a acreditar em execução tem relação com um telefonema relatado por um policial civil que participava das investigações. Ele disse que recebeu uma ligação de um contato - que ainda não era considerado suspeito - justificando onde estava na hora do crime.
O MP acredita na presença de uma quarta pessoa na cena do crime. Seria o cunhado de uma enfermeira que cuidou de um dos criminosos baleados. “A confirmação da quarta pessoa foi muito importante”, disse Lúcia. Ela explicou que esse novo elemento foi o responsável por vigiar a vítima. No momento dos disparos, ele teria corrido para a cena e não para longe, o que descarta a possibilidade de ser um morador ou uma pessoa que tenha presenciado o assassinato.
Lúcia disse ainda que funcionários da Secretaria da Saúde contaram que sofriam pressões e ameaças da empresa Reação. Além disso, no mesmo dia do assassinato, o ex-assessor jurídico da pasta Marco Antônio Bernardes e o dono da empresa de segurança, Jorge Renato Hordoff de Mello, foram denunciados por corrupção.
Uma testemunha, segundo a promotora, reconheceu Eliseu Pompeu Gomes como uma pessoa que a seguia depois que ela fez críticas à empresa Reação: “Ela reconheceu o nariz, o rosto”.
A promotora justificou que o MP não quis desmoralizar a Polícia Civil, mas segundo ela, houve pressão para a solução rápida do caso. Acrescentou ainda que, se fosse dado mais tempo, as conclusões poderiam ter sido diferentes: “Se esperassem mais um dia, se ouvissem os funcionários”, completou.
O Ministério Público ainda aguarda cruzamentos de telefonemas e um documento que confirma a vinculação de um dos presos pela morte de Eliseu Santos, Eliseu Pompeu Gomes. Agora, conforme a promotora, os réus serão citados para tomar conhecimento dos termos da denúncia e depois será designada a audiência. Ela acredita que seja marcada para daqui a três meses.
Eliseu era seguido uma semana antes do crime, diz MP
Promotora Lúcia Helena Callegari concedeu entrevista coletiva sobre o caso nesta segunda-feira