Polícia

Eliseu Santos foi morto no mesmo dia em que esquema de propina foi denunciado

Para Ministério Público, "coincidência" demonstra interesse dos assassinos em intimidar testemunhas do escândalo

A denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), aceita nesta quinta-feira pela Primeira Vara do Júri da Capital, aponta que no mesmo dia em que Eliseu Santos foi morto a tiros (26 de fevereiro), o órgão denunciou à Justiça um esquema de propina na Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. Para os promotores que investigaram o caso, não houve coincidência. O crime teve o objetivo de eliminar uma das principais testemunhas do escândalo, Eliseu, e intimidar outros possíveis informantes.

Desde o ano passado, o MPE investigava a denúncia de que o ex-assessor jurídico da Secretaria Marco Antonio Bernardes teria exigido propina da empresa de vigiância Reação, em nome de Eliseu Santos, para manter contratos de serviços de segurança em postos de saúde da capital. O fato levou o secretário a demitir Bernardes e romper vínculos com a Reação.

Dias depois, Eliseu relatou ter sido ameaçado por motoqueiros ao parar em uma sinaleira em Porto Alegre. O MPE concluiu que o ex-assessor do secretário, o sócio da empresa de vigilância e ex-policial militar José Renato Hordoff de Mello  e o sócio dele Marcelo Machado Pio, presos nesta quinta-feira, teriam contratado uma quadrilha de ladrões de carro para executar Eliseu.

No total, oito pessoas foram denunciadas. Além de Bernardes, Mello e Pio, ainda tonaram-se réus Janine Bitello, por ter ajudado a fazer curativos em um dos matadores; Robinson Teixeira Santos, acusado de ter dirigido o carro usado no crime; Eliseu Pompeo Gomes; Fernando Treib Krol; e Marcelo Dias Souza. Os três últimos integrariam a quadrilha de ladrões de carro de Sapucaia do Sul, conforme o MPE, contratada para matar Eliseu Santos.

Nas páginas da denúncia aceita pela Primeira Vara do Júri, os promotores rechaçam a tese de latrocínio, ao ressaltarem que a Polícia Civil ignorou o fato de que uma câmera do supermercado Zaffari na avenida Cristóvao Colombo flagrou Marcelo Dias Souza correndo em direção à cena do crime, demonstrando estar armado, logo após ouvir os disparos contra Eliseu. Para o MPE, qualquer pessoa inocente fugiria ao ouvir tiros, mas Souza teria ido certificar-se que o secretário havia morrido.

Outro aspecto usado pelos promotores para sustentar a tese de execução por encomenda é o fato de que os atiradores esperaram toda a família de Eliseu entrar no carro para só então abordá-lo - o que não é usual em roubos de veículos. Os promotores também garantem ter provas de que o ex-assessor jurídico da Prefeitura de Porto Alegre, e os donos da empresa Reação ajudaram a comprar, adulterar, e incendiar o carro usado no crime.

A investigaão ainda aponta que a Reação deixou de lucrar mais de R$ 1 milhão, com a descoberta do suposto esquema de propina na Secretaria Municipal de Saúde.