Polícia

Em Porto Alegre, Sanfelice diz aos jornalistas que é inocente

Empresário foi encaminhado para a Penitenciária Modulada de Montenegro

Na manhã desta quarta-feira Sanfelice recebeu oficialmente voz de prisão da Polícia Federal
Na manhã desta quarta-feira Sanfelice recebeu oficialmente voz de prisão da Polícia Federal Foto : Vinicius Roratto
Ao chegar ao Departamento Médico Legal (DML), o empresário Luiz Henrique Sanfelice disse aos jornalistas que é inocente e que não matou a mulher. Na manhã desta quarta-feira, ele desembarcou no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, onde recebeu oficialmente voz de prisão da Polícia Federal (PF). Sanfelice foi encaminhado para a Penitenciária Modulada de Montenegro.

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A Vara de Execuções Penais de Novo Hamburgo determina até sexta-feira se ele cumpre a prisão no regime fechado. A advogada do empresário, Gabriela Michaelsen, deve entrar com um recurso no Tribunal de Justiça, ainda esta semana, pedindo que seu cliente vá para o semiaberto. Sanfelice foi condenado a 19 anos e três meses pelo crime e estava foragido do sistema prisional. Ele foi detido em maio do ano passado, na Espanha.

O crime

O corpo de Beatriz foi encontrado carbonizado junto com o carro de Sanfelice, no Santuário Mãe de Deus, em Novo Hamburgo, em 12 de junho de 2004. No primeiro depoimento do empresário à Polícia Civil, ele afirmou que a esposa havia desaparecido no Dia dos Namorados após ambos deixarem a sua residência, na rua Heller, Centro de Novo Hamburgo, com destino a uma agência bancária.

No local, o casal teria sacado R$ 1 mil e trocado de carro. Sanfelice disse ainda que o combinado seria almoçarem com um casal de amigos, mas o compromisso foi cancelado e Beatriz não foi mais localizada.

A condenação

Sanfelice foi condenado por cinco votos a dois por homicídio triplamente qualificado, em dezembro de 2006. No julgamento, testemunhas confirmaram a crise conjugal e detalhes da premeditação do crime. Também pesou contra o acusado um arquivo de computador de quatro dias antes da morte com o roteiro pré-elaborado para a realização do assassinato.

A ex-empregada doméstica do casal, acusada de falso testemunho e julgada no processo como cúmplice, foi absolvida, também por cinco votos a dois. O julgamento do empresário durou cerca de 40 horas, divididas em três dias de trabalhos. Sanfelice foi detido e, em março de 2007, transferido para o regime semi-aberto.

A fuga

Sanfelice cumpria pena no Presídio Estadual de Novo Hamburgo quando saiu para trabalhar e não voltou, em abril de 2008. Na mesma semana da fuga, o Tribunal de Justiça determinou a volta ao regime fechado até ele passar por exame psicossocial.

A prisão

Em uma investigação que envolveu a Polícia Federal e a Interpol, Sanfelice foi preso em maio do ano passado em Sevilha, na Espanha. O empresário foi encontrado sem barba e com um corte de cabelo diferente. Sanfelice tem cidadania espanhola e portava documentos originais. Há informações de que ele trabalhava no mesmo ramo que atuava no Brasil – importação e exportação de calçados.

A extradição

O empresário chegou a declarar que preferia cumprir a pena no país europeu. Ele apelou para não ser extraditado, alegando ter sido torturado durante o tempo que esteve na prisão no Brasil. A Justiça espanhola decidiu em fevereiro, no entanto, pela extradição do empresário.

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