O emprego das Forças Armadas, sob a justificativa de uma eventual militarização do conflito com traficantes, não traria benefícios ao Rio de Janeiro. Entre 1994 e 2006, tropas subiram morros e ocuparam favelas oito vezes. De acordo com um oficial do Exército, hoje na reserva, foi uma espécie de coreografia: "O soldado sobe e o bandido desce."
A preocupação veio a tona depois da série de atentados no último sábado na capital carioca. A derrubada do helicóptero da Polícia Militar do Rio, abatido a tiros pelos traficantes do Morro dos Macacos, não leva a guerra contra o crime organizado a um novo patamar, próximo da intervenção militar. O uso dessas armas exige um tipo de treinamento que o narcotráfico ainda não tem, embora conte em suas fileiras com ex-combatentes da tropa de elite, paraquedistas e fuzileiros.
Há pouco mais de três anos, 1.600 homens isolaram nove bairros com a missão de recuperar dez fuzis e uma pistola roubados de um quartel. A Força não se limitou à busca. Tratou de mapear as áreas e coletar dados logísticos. Nunca mais parou de expandir a inteligência no setor.
Nos anos 80 isso já havia sido feito pela Polícia Federal, durante a Operação Mosaico. Foram localizados oito núcleos do comando do crime e definida uma ação conjunta de forças especiais para extrair os chefões de seus abrigos e destruir sua infraestrutura. O então presidente José Sarney não autorizou a intervenção. A situação em 2009 seria muito diferente.
Emprego das Forças Armadas no Rio não traria benefícios
Entre 1994 e 2006, tropas subiram morros e ocuparam favelas por oito vezes