Polícia

Empreiteiras são alvo de operação da PF relacionada à Lava Jato

"O Recebedor" foi deflagrada em seis estados e DF

A Polícia Federal (PF) deflagrou na madrugada desta sexta-feira a operação “O Recebedor”, que investiga desdobramentos de fatos apurados na Lava Jato, com base nos elementos colhidos em acordo de leniência e delação premiada de um dos investigados. Ele forneceu provas documentais e testemunhais contra outras empresas e pessoas que também teriam participado do esquema criminoso.

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Ao todo são sete mandados de condução coercitiva e 44 mandados de busca, que estão sendo cumpridos simultaneamente nos estados de Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, além do Distrito Federal. Membros do Ministério Público Federal em Goiás também participam dos trabalhos.

As buscas visam a recolher provas do pagamento de propina para a construção das ferrovias Norte-Sul e Integração Leste-Oeste, bem como da prática de cartel e lavagem do dinheiro ilícito obtido por meio do superfaturamento de obras públicas. Somente no estado de Goiás, foi detectado um desvio da ordem de mais de R$ 630 milhões, considerando-se somente os trechos executados na construção da Ferrovia Norte-Sul.

Ainda, de acordo com as investigações, as empreiteiras realizavam pagamentos regulares, por meio de contratos simulados, a um escritório de advocacia e a mais duas empresas sediadas no estado de Goiás, que eram utilizados como fachada para maquiar uma origem lícita para o dinheiro proveniente de fraudes em licitações públicas. Todos os investigados devem responder pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O nome da operação é uma referência à defesa apresentada por um dos alvos em uma investigação anterior intitulada "Caso Trem Pagador”, na qual seus advogados alegaram que "se o trem era pagador, o alvo não fora o “recebedor".