Polícia

Entenda as reviravoltas no caso de bolo que provocou a morte de três pessoas em Torres

Quase duas semanas após consumo da sobremesa em reunião de família, Polícia Civil prende suspeita e aponta para triplo homicídio

Bolo envenenado foi consumido por família em Torres às vésperas do Natal
Bolo envenenado foi consumido por família em Torres às vésperas do Natal Foto : Polícia Civil

Reviravoltas marcaram a investigação sobre o envenenamento de um bolo em Torres. Ingerido às vésperas do Natal, o alimento resultou na contaminação de seis pessoas da mesma família, provocando a morte de três delas. Após quase duas semanas, a Polícia Civil descartou a suspeita de intoxicação alimentar e trata a situação como um triplo homicídio qualificado.

O bolo foi consumido no dia 23 de dezembro, em um apartamento na rua Alexandrino Alencar, por volta das 18h. Na ocasião, uma confraternização de família ocorria ali.

Minutos após a ingestão, seis pessoas começaram a passar mal. Os sintomas incluíam vômitos, diarreia e dores no corpo. 

Maida Berenice Flores da Silva, de 58 anos, morreu na madrugada de 24 de dezembro, no pronto-atendimento. O marido dela, 60 anos, recebeu alta após o atendimento médico.

As vítimas foram internadas no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes. Entretanto, ao longo do mesmo dia, morreram Neuza Denize Silva dos Anjos, 65 anos, e a filha dela, Tatiana Denize Silva dos Anjos, 47 anos.

Um menino de 10 anos, filho de Tatiana, permaneceu hospitalizado até o última sexta-feira, quando recebeu alta. O pequeno chegou a escrever uma carta em que pedia orações por ele e pelas vítimas que morreram.

A mulher que fez o bolo também foi intoxicada. Ela é a irmã de Maida e Neuza, Zeli Terezinha Silva dos Anjos, de 61 anos. Nesta manhã, ela recebeu alta da UTI e foi transferida para um leito. O quadro de saúde dela é considerado estável.

Exames detectaram a presença de arsênio no sangue dos sobreviventes e no corpo de uma das vítimas. O químico é a base do veneno arsênico. A Polícia Civil chegou a tratar o caso como homicídio doloso, por considerar que a substância, que não tem cor nem cheiro, pudesse ter sido utilizada por engano no alimento.

A tese foi descartada após o Instituto-Geral de Perícias (IGP) apontar a presença de altas doses do veneno na farinha do bolo. O produto foi encontrado em Arroio do Sal, na semana passada, durante buscas na casa da mulher que fez o doce. Os investigadores agora tentam determinar como e há quanto tempo o item estava ali.

No domingo, uma mulher foi presa temporariamente como suspeita. Ela seria Deise Moura dos Anjos, nora de Zeli. Segundo a apuração policial, a investigada tinha desavenças com a sogra.

Não foram fornecidos detalhes sobre a questão, mas a briga entre elas teria ocorrido há mais de 20 anos, por motivos banais. A suspeita é que isso também tenha motivado o envenenamento do marido de Zeli, morto em setembro. O corpo dele será exumado nos próximos dias.

A investigada está recolhida ao Presídio Estadual Feminino de Torres. Ela vai responder por triplo homicídio duplamente qualificado e uma tripla tentativa de homicídio duplamente qualificada. 

Leia a nota da defesa da investigada

Deise Moura dos Anjos, presa temporariamente por suposto envenenamento no caso do bolo, na cidade litorânea de Torres/RS, vem a público manifestar que possui defesa constituída, representada pelos advogados Manuela Almeida, Vinícius Boniatti e Gabriela S. Souza.

Até o presente momento, 06 de Janeiro, às 07hrs, a defesa prestou atendimento em parlatório à cliente, contudo, não teve acesso integral a investigação em andamento, razão pela qual se manifestará em momento oportuno.