“O que a gente queria era encontrar ele vivo”, fala o diretor Nelson Weber. A turma e os colegas ficavam perguntando a todo o momento onde ele estava, relembra. Eles temiam, no entanto, que o menino jamais fosse encontrado. “A hipótese que nos passou foi de sequestro, fugir jamais. Não era o perfil dele”, recorda a funcionária Mauriceia Gaspareto.
As atividades do colégio foram paralisadas por uma semana, após a Polícia localizar o corpo de Bernardo, em 14 de abril. O luto iniciou naquele dia e se manteve até após o feriado de Tiradentes. O diretor colocou à disposição da comunidade escolar um ônibus para o deslocamento até Santa Maria, onde ocorreu o funeral do menino. Foi lá que Weber conheceu a psicóloga que atendeu os familiares das vítimas da Boate Kiss. Ela se ofereceu para realizar um trabalho de apoio aos alunos do colégio.
A atividade da psicóloga na escola durou dois dias. A turma de Bernardo, com 22 alunos, teve atenção especial. Foi recomendado que a classe ocupada pelo menino permanecesse intacta. A mesa e a cadeira ainda estão vazias. “Parece que a vida no colégio está começando a ser tocada adiante”, afirma o diretor. Ele frisa que nunca esquecerá o episódio. Agora foca o trabalho em valores para que tragédias como a de Bernardo não se repitam. “Nossa ideia não é abafar a situação, mas trabalhar a realidade com os alunos.”
Os dois últimos trabalhos escolares feitos por Bernardo na disciplina de Educação Artística serão emoldurados. A professora de Português Simone Müller, também coordenadora do Ensino Infantil e Fundamental, pretende pendurá-los em sua sala. O menino desenhou um palhaço e um pássaro. A professora de Artes disse à Simone que o desenho da ave foi o preferido de Bernardo naquele dia. Assinado no canto inferior direito como “B. Boldrini”. O trabalho foi feito com giz pastel.