Polícia

Escolas fecham mais cedo por ameaça de toque de recolher no Mário Quintana

Bairro da zona Norte da Capital registra série de crimes violentos

Entre os alunos, acreditava-se que não haveria aula na terça e quarta-feira
Entre os alunos, acreditava-se que não haveria aula na terça e quarta-feira Foto : Samuel Maciel
Duas escolas do bairro Mário Quintana, na zona Norte de Porto Alegre, fecharam as portas mais cedo na tarde desta segunda-feira, após se espalhar pela comunidade a informação de um toque de recolher. A Escola Municipal de Ensino Fundamental Timbaúva liberou os alunos no horário do recreio, às 15h30min. Já a Escola Estadual de Ensino Médio Mariz e Barros encerrou as atividades às 16h e suspendeu as aulas do turno noturno. Às 18h, estudantes e professores se surpreenderam com as portas fechadas.

Entre os alunos, a informação é de que não haveria aula na terça-feira e quarta-feira, o que não foi confirmado pela direção, que não foi localizada. Um professor de artes de 43 anos disse que a turma tinha terminado de recuperar as classes da última vez que a escola ficou fechada, por 12 dias. “Estavam começando as aulas às 18h, normalmente é às 19 horas. Quem podia chegava mais cedo”, explicou o professor, que reclama não ter sido avisado da suspensão das aulas. Já para os estudantes, a maior queixa é a proximidade com o final do ano e de que a recuperação das aulas possam avançar por janeiro.

A diretora da Timbaúva relatou ter liberado os alunos duas horas antes após uma ligação que informava do toque de recolher. “Nos falaram que iria ocorrer às 17h e, como ficamos até 17h45min, antecipamos a saída dos estudantes.” Ela observou que após o homicídio na madrugada desta segunda-feira, as crianças ficaram mais agitadas e violentas. “Eles se batem, se machucam. É um clima de tensão em todos.”

A Brigada Militar entendeu como “equivocada” a atitude das direções de fechar as escolas. Conforme o comandante interino do 20º Batalhão da Brigada Militar, major André Marcelo Ribeiro, as instituições deveriam contatar o policiamento para reforçar a presença policial no entorno. Ribeiro vai entrar em contato com as escolas. Sobre o toque de recolher, o policial considera que a informação “não procede” e que está sendo espalhada por gangues que querem amedrontam a população. Entretanto, ele reconhece que foi destacada um maior efetivo para a área desde triplo homicídio, no dia 13 de outubro.

A reportagem do Correio do Povo percorreu as ruas após as 17h - quando supostamente ocorreria o toque de recolher - e constatou que o comércio permaneceu aberto e muita pessoas ainda circulavam por ruas e avenidas.