Em outra situação, um membro da quadrilha ofereceu a outro cúmplice um Mitsubishi Lancer, ano 2012, pelo valor de R$ 3 mil. Nesta negociação, um dos criminosos perguntou ao outro se o veículo estava “limpinho” (clonado) ou se “tem que fazer” (adulterar seus sinais identificadores). Com a garantia de entrega de uma placa clonada, o negócio foi concretizado entre eles. Os policiais acabariam prendendo um deles e recuperando o Lancer, além de encontrarem uma lista com a numeração de 16 placas “quentes” que seriam usadas na clonagem.
“As placas eram feitas ao custo de R$ 100,00 ou R$ 200,00 o par”, acrescentou Arthur Raldi. Entre os modelos de carros roubados estavam Lancer, L200, Pajero Dakar, Azzera, Sonata, Peugeot 307, Corola, Tiguam,Aircross, SpaceFox, Cobalt, Focus, Fit, i30, ix35, Sportage, Tucson, Sentra, HB 20, Logan, Palio e Corsa, além de motos tipo Hornet. “Os veículos eram vendidos prontos com documentação e placas adulteradas”, destacou o delegado da Delegacia de Roubos de Veículos (DRV).
Dez integrantes da quadrilha foram presos na ação de ontem. Outras duas prisões haviam sido realizadas desde março do ano passado, quando iniciaram as investigações. “A estimativa é de que a quadrilha roubou pelo menos 50 veículos no período”, observou o delegado Juliano Ferreira.
Cerca de 70 agentes em 35 viaturas cumpriram 14 mandados de busca e apreensão e outros 11 mandados de prisão em Porto Alegre, Alvorada, Viamão, Gravataí, Balneário Pinhal e Charqueadas, além de Criciúma (SC). Houve a apreensão de um Hyundai i30 e um Meriva, além de seis celulares. Durante o trabalho investigativo, os agentes recolheram dez veículos. Um dos dois líderes da organização criminosa foi preso, enquanto o outro está foragido. As bases da quadrilha ficavam nos bairros Sarandi, em Porto Alegre, e Jardim Algarve, em Alvorada.
Os roubos dos veículos de luxo, cometidos por assaltantes armados, ocorriam sob encomenda, sendo escolhidos modelos e cores. “Eles ficavam vasculhando as ruas até encontrar o que pretendiam”, recordou Juliano Ferreira. Em seguida, os carros eram levados para os atravessadores, que providenciavam as adulterações das identificações e clonagens. Depois, os veículos já clonados e documentos tinham como destino Criciúma, onde estavam os receptadores.
Juliano Ferreira estima que 90% dos veículos abasteciam o estado vizinho. A participação de cada integrante era individualizada, sendo divididas por exemplo as tarefas de quem levava os assaltantes até os locais de roubos, os responsáveis pelos sinais identificadores e também pela confecção dos documentos, além dos encarregados das vendas dos veículos clonados, cujos valores ficavam entre R$ 3 mil e R$ 10 mil. O delegado Juliano Ferreira lamentou que muitos dos presos já haviam capturados em operações anteriores da DRV, mas acabaram soltos pela Justiça. Entre os envolvidos estão ainda dois apenados da Pasc.