Polícia

Escutas revelam possíveis indícios da ligação entre Reação e assaltantes que teriam matado Eliseu Santos

Promotora Lúcia Helena Callegari já ouviu um terço das gravações<br />

Conforme a promotora Lúcia Helena Callegari, cerca de um terço das escutas feitas após a morte de Eliseu Santos nos telefones dos oito denunciados pelo crime já foram ouvidas e já é possível identificar indícios da ligação entre a empresa de segurança privada Reação e a quadrilha de roubo a carros. Segundo Lúcia Helena, como os réus já suspeitavam que poderiam ter os telefones grampeados, a comunicação entre eles era feita de forma cautelosa, mas algumas informações escaparam, como as negociações para contratação de advogados, e conversas sobre os depoimentos que foram dados ao Ministério Público durante as investigações.

Na semana que vem, Lúcia Helena Callegari pretende ouvir novamente algumas pessoas da relação íntima do ex-secretário municipal de Saúde, morto na noite de 26 de fevereiro na rua Hoffmann, no bairro Floresta, em Porto Alegre. Existe também a intenção de tomar o depoimento dos proprietários legais da Reação, Tania Auler e Luis Fernando Vieira, para saber qual era a relação deles com o mundo político. Conforme um dos três suspeitos de serem mandantes do crime, Jorge Renato Hordoff de Mello, que é administrador da Reação, a empresa faria parte de um esquema de propina encabeçado por Marco Antônio Bernardes, ex-assessor político da Secretaria Municipal da Saúde. O dinheiro seria utilizado para caixas de campanha. Após o escândalo vir à tona, o contrato com a Reação foi rompido e Bernardes foi demitido.

De acordo com o Ministério Público, Mello e Bernardes, junto com o gerente da Reação, Marcelo Machado Pio, teriam se unido para tramar a morte de Eliseu Santos. Para tanto, teriam contratado uma quadrilha de Sapucaia do Sul. Um ex-segurança da Reação, Eliseu Pompeu Gomes, seria um dos integrantes do bando. Ele foi indiciado pela Polícia Civil por ser o autor dos disparos que mataram Eliseu Santos. Para a Delegacia de Homicídios, o crime foi motivado por uma tentativa frustrada de roubo ao carro do ex-secretário, e não a mando da Reação.